<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633</id><updated>2011-07-07T18:05:07.925-07:00</updated><category term='Beto Canales'/><category term='Leandro Fonseca'/><category term='Cabeças Cortadas'/><category term='Cisticerco'/><category term='Denise Ravizzoni'/><category term='Plínio Gomes'/><category term='Afobório'/><category term='Jana Lauxen'/><category term='George dos Santos Pacheco'/><title type='text'>Blog Cabeças Cortadas</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>31</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-598429026189452836</id><published>2009-10-14T11:21:00.000-07:00</published><updated>2009-10-14T11:23:36.379-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cisticerco'/><title type='text'>Bom apetite</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Desculpem-me os vegetarianos. Mas não há nada mais saboroso que a carne. De preferência mal passada, com bastante sangue. Quente e macia. Nada contra os legumes, as frutas ou as verduras. Pelo contrário, são extremamente necessárias para suprir todas as necessidades vitamínicas e minerais do organismo. Mas como carne não há nada igual. Fonte rica de proteína. Adoro comer carne. Humana então... que delícia.&lt;br /&gt;Lembro como se fosse hoje a primeira  vez que comi carne humana. Foi há  cerca de 10 anos atrás. Era uma garotinha tão linda. Tão doce. Consegui que entrasse no carro com a promessa de lhe comprar doces. Devia ter cerca de 9 ou 10 anos. Cabelos longos, cheios de tranças. Voltava da escola. Eu a estrangulei, cortei em pedaços e me deliciei a semana toda. Comi em forma de bifes. Fiz ensopado com batatas, cenouras, tomate e cebola. Fiz uma torta e até mesmo um strogonoff com champignons e batata palha. O coração eu assei e fiz com um delicioso molho madeira, que fiz com o próprio sangue da garotinha. Juntei o sangue que escorria dela enquanto eu a esquartejava na cozinha da minha casa.&lt;br /&gt;Já comi carne de adultos. Mas as de crianças são mais gostosas. As de adultos ficam com um certo cheiro. As de crianças são mais puras, mais limpas. Talvez seja por conta da alimentação e da falta de hábitos ruins, como fumar ou tomar bebidas alcoólicas. Além disso, a carne é mais macia. Tipo um babybeef. Uma delícia.&lt;br /&gt;Sei que vão me recriminar por comer carne humana. Mas por favor, não sejamos populistas ou dramáticos. O fato de vocês acharem um absurdo eu comer carne humana é meramente cultural. Alguns países se alimentam de forma muito pior, muito mais estranha. Gafanhoto, cachorro, escorpiões, entre outras coisas que simplesmente desconhecemos. E eu como carne humana. Isso me torna melhor ou pior que alguém que se alimenta de larvas, de cérebros de macaco ou que algo parecido? Entendo. Eu assassino pessoas indefesas para me alimentar. Certo. Mas antes que se inicie um debate sem fim, é bom lembrarmos que todas as espécies vivas que se conhecem praticam algum tipo de “assassinato”, se essa for à palavra mais adequada para caracterizar o ato de sobrevivência animal.&lt;br /&gt;Animais selvagens matam uns aos outros. Plantas tentam ocupar o espaço das outras. Tentam sufocar outras até que as mais fracas desapareçam. Isso é natural para eles, e até natural para nós. Mas isso é normal. Aprendemos desde cedo que o Leão devora a Gazela, que o Gato mata o Rato, e não achamos nada disso errado. Aprendemos isso desde pequenos. Programas de televisão mostram isso diariamente. Estamos acostumados. Já faz parte da nossa cultura. Não vemos nada de errado nisso. Não me lembro de ninguém ter criticado o leão por ter comido uma zebra, quem sabe chamar de assassino o falcão, que com sua visão certeira, se atira do céu para pegar na terra, pequenos roedores, para se alimentar e também alimentar seus filhotes.  “Não faça isso seu Falcão! O senhor está matando os pobres ratinhos.” Nunca vi isso acontecer.&lt;br /&gt;Então o que me torna diferente das outras espécies? Sejamos lógicos. Isso é apenas um tabu. Não posso comer carne humana por que a religião não permite, os costumes morais não deixam, seus paradigmas existenciais não acham correto. E além do fato de eu comer a carne humana, que na minha opinião é apenas um fator gastronômico, ainda existe o assassinato propriamente dito.&lt;br /&gt;Pelo que sei morrem milhares de pessoas todos os dias, assassinadas por milhares de motivos banais, muitos deles tão ou pior moralmente que os meus. O fato de eu matar para comer é simplesmente o fato de não poder comprar carne humana num supermercado. Se isso fosse possível eu não mataria ninguém para comer.&lt;br /&gt;Não que eu não goste de matar.&lt;br /&gt;Não há  sensação mais incrível que caçar e matar sua própria presa. Isso me dá uma sensação de força, de poder. Algo que me transmite o verdadeiro extinto animal. Adoro sentir essa sensação de liberdade, de retorno aos meus antepassados pré-históricos. Ao aquilo que parece ser o meu destino. Talvez, e aí não tenho certeza, é apenas um ponto de vista pessoal, acho até que isso é genético.&lt;br /&gt;Além disso, o Canibalismo não é algo tão absurdo assim. Na história das civilizações podemos encontrar vários exemplos disso. Houve vários povos e civilização que praticaram o Canibalismo. Algumas civilizações se alimentavam da carne de seus inimigos em busca de obter seu espírito, sua força. Índios e povos americanos comiam carne humana naturalmente. Foram os colonizadores que de certa forma mudaram isso. Quando os colonizadores encontraram esses povos acharam isso uma selvageria. Um absurdo. Mudaram seus costumes assim como suas religiões. Decretou-se assim, o fim de uma tradição.&lt;br /&gt;Por isso não acho tão horrível assim comer carne humana. Tenho certeza que você  fala isso, porque nunca comeu. Tipo cebola, quiabo ou berinjela. “Eca! Não como isso.” “Mas já experimentou?” “Não e nem quero!”. Bom, se nunca comeu então não sabe que gosto tem. E nenhum alimento fica ruim quando é feito com um bom tempero, com uma boa apresentação.&lt;br /&gt;Mas como estava dizendo. Eu particularmente gosto de carne de criança. São mais saborosas. Ontem mesmo matei uma garota. Tão meiguinha, com uns olhinhos tão doces, tão verdes que até brilhavam enquanto eu arrancava a pele toda do seu corpo.  Essa é a parte chata. Limpar o corpo. Cortar as partes boas de carne, desossar, tirar as entranhas, os órgãos. A cabeça quase não se usa. Apenas o cérebro. Coração, rim e fígado dão bons pratos ou acompanhamentos. Mãos e pés não valem a pena tentar aproveitar. Muito osso para pouca carne. Melhor descartar ou deixar para o cachorro roer. A carne boa está nas coxas, nas nádegas. São as melhores partes. As costelas são boas com batatas ou mesmo assadas na brasa, no churrasco. A boa costela tem segredo, nada de sal grosso. Sal refinado mesmo, e deixar no alto da churrasqueira para assar por bastante tempo, enrolada em papel celofane ou alumínio. Delícia. &lt;br /&gt;Tem que se tomar cuidado com crianças gordinhas. Por causa do colesterol, claro. Costumam ter uma quantidade grande de gordura. De vez em quando ainda vai, mas não pode abusar. Com o cérebro costumo fazer bolinhos fritos, tipo almôndegas. Bem temperadas, com páprica e um pouco de pimenta do reino, fica uma delícia. Frite no óleo bem quente para não encharcar muito. Faça o molho com o sangue e um pouco de vinho tinto seco. Você pode acompanhar com polenta ou purê de batatas. Fica divino.&lt;br /&gt;Bom apetite!  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Cisticerco escreve: Cisticerco escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://cisticerco.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://cisticerco.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Contato com o Autor: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.skypizza@hotmail.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;www.skypizza@hotmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-598429026189452836?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/598429026189452836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/598429026189452836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/10/bom-apetite.html' title='Bom apetite'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-8727112684239251894</id><published>2009-10-05T04:51:00.000-07:00</published><updated>2009-10-05T05:00:27.039-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='George dos Santos Pacheco'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><title type='text'>Um anjo Redentor.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sirenes ligadas. Homens, mulheres e crianças chorando, gemendo de dor. Um cheiro forte de éter. Em um hospital vê-se o que quer e o que não quer. Se ao menos houvesse muitos médicos para atendê-los... Não, não havia.&lt;br /&gt;Adametropos trabalhava há quase vinte anos como enfermeiro. Muitos pacientes já haviam sido cuidados por ele. Suas mãos precisas efetuaram uma centena de curativos, aplicaram injeções mais ainda. Não era casado, não tinha filhos. Quase uma vida inteira dedicada a pessoas desconhecidas.&lt;br /&gt;Sirenes ligadas, gente chorando... Já estava acostumado com isso. Essa profissão não é para qualquer um. É preciso gostar muito de ajudar as pessoas. E não se importar em ver sangue.&lt;br /&gt;Em alguns dias os corredores ficavam até vazios, mas hoje... Haviam macas espalhadas, alguns pacientes que estavam em pé, outros sentados em cadeiras mal conservadas e tomando soro.&lt;br /&gt;Adametropos cuidava de uma senhora, paciente terminal de câncer. Antigamente não se podia falar nem no nome dessa doença. Falavam “aquela doença ruim”. Estava quase gritando de dor. Seu corpo magro se contorcia na cama, desarrumando os lençóis que a cobriam. Não havia nenhum parente com ela. Acontece às vezes. Algumas pessoas são abandonadas pela família e isso é muito triste.&lt;br /&gt;– Ah... Está doendo! Meu Deus me ajuda! – disse Dona Diva, com os olhos cheios de lágrimas, voltados para o enfermeiro que entrava no quarto agora.&lt;br /&gt;– Calma Dona Diva... – disse ele com sua voz grave. Era chamado de locutor de cabaré por disso.&lt;br /&gt;– Me ajuda moço... – disse ela quase sem forças.&lt;br /&gt;– Isso vai deixar a senhora melhor... – disse ele aplicando uma injeção na garrafa de soro. Quase que instantaneamente a mulher foi se aquietando até dormir. Seu rosto ainda estava molhado de lágrimas e Adametropos enxugou-as com as mãos.&lt;br /&gt;Seus olhos marejaram. Era difícil se comover com os pacientes. Na verdade só havia acontecido nos seus primeiros plantões. Talvez fosse porque ela lembrava sua mãe. Ah sua mãe! Que saudades! Havia partido há tanto tempo... Não pôde ajudar. Morreu de repente e ninguém nunca soube o que havia sido. Por isso decidiu ser enfermeiro. Precisava ajudar os outros. Enquanto trocava de roupa pensava em como ajudaria mais pessoas, fora de seus plantões.&lt;br /&gt;Foi para casa, tomou um banho e deitou-se um bocado, estava exausto. Quando acordou eram quase três horas da tarde. Levantou, lavou o rosto e comeu alguma coisa, assistindo televisão.&lt;br /&gt;“Em pesquisa recentemente divulgada pelo governo, houve um aumento de trinta por cento da população de rua...”. – disse o jornalista. Sim! Os mendigos precisavam de ajuda. Aliás, já havia atendido a muitos no hospital.&lt;br /&gt;Levou o prato até a pia e começou a destampar as panelas. Arrumou alguns pratos, tapando com outros e amarrando com panos de prato. Foi ter com os mendigos, lembrava que perto do hospital tinha visto alguns. A pesquisa do governo estava certa. Devia haver umas duas famílias inteiras por lá e muitas crianças. O que trouxe provavelmente não ia dar. Mas os mendigos dividiram tudo e quase que sobra. Emocionou-se novamente. Talvez fosse a primeira refeição deles e comeram como se fosse a última. Voltaria lá mais tarde.&lt;br /&gt;No outro dia, ao chegar ao hospital recebeu a notícia. Dona Diva tinha partido, ainda pela manhã de ontem. Era apenas mais uma. Trocou de roupa e foi passando no leito de cada um. No setor de queimados, havia uns dez pacientes. Atendeu primeiro à Paloma, uma menininha de cinco anos. Sua mãe estava aquecendo o leite no fogão e deixou distraidamente a alça do canecão voltada para fora. A menina puxou-o derramado a bebida no rosto e no peito. Estava praticamente desfigurada.&lt;br /&gt;– Bom dia Palominha... – disse ele se aproximando.&lt;br /&gt;– Bom dia Sr. Tropis! – disse ela, que sorria, mesmo na dor.&lt;br /&gt;– Então, como é que foi a noite?&lt;br /&gt;– Eu senti um pouco de frio. Mas aí, minha mãe me cobriu e eu suei muito. – disse a menina arregalando um dos olhos. O outro, tinha a pele retorcida pela queimadura. A mãe estava sentada ao lado tentando segurar o choro, para que a menina não visse. Não pôde, e saiu para chorar no corredor.&lt;br /&gt;– Vou te dar um remédio para você melhorar, está bem? – disse o locutor de caba-ré.&lt;br /&gt;– Cadê mamãe? – perguntou a menina voltando-se para a porta.&lt;br /&gt;– Deve ter ido ao banheiro... – disse ele com jeito.&lt;br /&gt;Deu o remédio à menina e partiu para os outros pacientes. Saiu dali e foi para a ortopedia. Também estava lotado. Ali havia acidentes de todos os tipos. Um homem havia caído da laje. Três mulheres haviam sido atropeladas no ponto de ônibus. Um rapaz havia batido de carro e tinha sorte de estar ali. Sua namorada estava sem o cinto de segurança e na pancada tinha sido arremessada pelo pára brisa dianteiro, indo parar a uns cinco metros do sinistro. Ele talvez ficasse paraplégico.&lt;br /&gt;– Hei Adametropos! – Teu time é muito ruim mesmo, hein? – disse Sr. Carlinhos, um senhor de uns setenta anos. Tinha quebrado a bacia quando escorregou no banheiro de casa. Viúvo, morava com o filho.&lt;br /&gt;– Ruim é o seu! – redargüiu o enfermeiro.&lt;br /&gt;– Esse ano vou ter o prazer de ver o Vasco cair para a segunda divisão! – disse o velho com um radinho de pilha sobre o colo.&lt;br /&gt;– E o seu está muito bem, não é? – disse ele trocando o soro do velho.&lt;br /&gt;– O Fluminense? Eu nem vejo vocês pelo retrovisor! Por que é que você não fica em casa todo dia? Assim você evita as chacotas e eu sou cuidado só por aquela enfermeira gostosa que estava aqui ontem...&lt;br /&gt;– A Neide? Da fruta que o senhor gosta ela come até o caroço! – disse ele atendendo outros pacientes.&lt;br /&gt;– Isso é porque ela não me conheceu ainda. Deixa comigo que eu dou um jeito nela!&lt;br /&gt;E foi assim por todo o dia. Alguns choravam, outros faziam piada. Nada demais até as duas da madrugada. Chegou um rapaz que havia batido de moto. Estava todo ensangüentado, dando golfadas de sangue. No lugar da perna direita tinha um monte de carne retorcido com alguns cacos de osso. Foi direto para o CTI, mas já era tarde, seu coração já estava parado. Já estava quase amanhecendo, mas de lá não se podia ouvir o canto dos pássaros. Só gemidos e lágrimas.&lt;br /&gt;Outro plantão exaustivo. Saiu do hospital e foi à padaria do outro lado da rua fazer seu desjejum. Alguns enfermeiros e parentes de internados faziam suas refeições ali, e levavam guloseimas escondido para os pacientes. Adametropos adoçava seu café com leite, enquanto os outros prestavam atenção no noticiário. O jornalista anunciava em tom austero informações sobre uma chacina.&lt;br /&gt;“A polícia ainda investiga a chacina ocorrida na madrugada de segunda feira, em uma das ruas do centro da cidade. Foram dezoito mortos, entre homens, mulheres e crianças. Uma mulher, que não quis ser identificada, disse que foram muitos disparos de arma de fogo, por volta de uma hora da manhã. Ouviu muitos passos, mas não soube se eram dos assassinos ou dos mendigos que corriam desesperados.”&lt;br /&gt;– Que absurdo! – disse a moça que limpava o balcão.&lt;br /&gt;– Fiquei sabendo que foi aqui pertinho... – disse um cliente.&lt;br /&gt;– Que Deus tenha piedade dessas almas... – disse Adametropos com lágrimas nos olhos. Estava sensível a este tipo de coisas nos últimos tempos.&lt;br /&gt;A conversa ali na padaria girou em torno deste assunto. As mortes, a insegurança da população. Os hospitais lotados, a falta de preocupação do governo com o básico, saú-de, segurança e educação. A sociedade estava à beira do caos.&lt;br /&gt;O enfermeiro Adametropos saiu da padaria e caminhou até o ponto de ônibus. A rua onde aconteceu a chacina ficava no caminho deste. Passou em frente e ficou olhando na entrada do beco. Havia marcas de tiro nas paredes. A imagem das pessoas correndo lhe veio à cabeça. Lembrou-se de quando se fartavam com a comida que havia trago. Aquela havia sido a última refeição deles mesmo...&lt;br /&gt;Chegou à porta de casa, tirou os sapatos, batendo um no outro para tirar a poeira. Entrou, abriu a camisa e foi pegar uma cerveja gelada. Era um dia quente. Foi para a sala e ligou a televisão. Sentou-se no sofá, esticou os pés na mesa de centro e degustou a bebida. Deixou escorrer algumas gotas pelo queixo, indo pingar em seu peito, cheio de cabelos brancos. Estava ficando velho.&lt;br /&gt;Todos os canais falavam sobre o acontecido. Não adiantava mudar. No meio de programas de culinária abriam um espaço só para falar do assunto. Eles não demorariam a encontrar o culpado, ele sabia.&lt;br /&gt;Em um dos canais, falavam sobre o hospital em que ele trabalhava.&lt;br /&gt;“No Hospital Nossa Senhora da Boa Morte, está sendo investigado uma série de mortes. Muitos pacientes morreram mesmo tendo uma melhora no quadro. A senhora Mariluce Tavares, mãe de uma paciente, diz que sua filha estava bem, mas começou a se sentir mal depois de ter ingerido um comprimido, dado por um enfermeiro. – Eu tive que sair, por estar me sentido mal e quando voltei o enfermeiro tinha medicado minha filha. Ela teve um pouco de febre na noite anterior, mas não era nada demais. Em algumas horas ela morreu. Foi horrível. Nada vai trazer minha filha de volta! – disse a mulher aos prantos. A polícia investiga o envolvimento do enfermeiro nas mortes...”.&lt;br /&gt;Ouviu o som de pisadas fortes na entrada de sua casa. Bateram a porta com força. Eram eles.&lt;br /&gt;– Adametropos Ribeiro! Abra a porta, é a polícia! – gritaram. Haviam encontrado-o.&lt;br /&gt;Adametropos estava farto de tanta aflição, tanta dor. Não resistiu a anos assistindo aquilo como coadjuvante. Embora curassem alguns, outros chegavam, com os mesmos sintomas, as mesmas doenças. O mundo era uma fábrica de doentes, acidentados, famintos e desesperados em linha de produção. Não, ele precisava fazer algo. E fez. Salvou dezenas de almas de tanto sofrimento, tanta angústia. Para onde foram, não teriam fome nem sede, nem dor. Uma terra onde corre leite e mel.&lt;br /&gt;Os policiais chutaram a porta com mais força. Adametropos pegou o revólver que estava sobre a mesa de centro, tomou um último gole de sua cerveja e abriu a boca, pondo o revólver dentro. Apertou o gatilho no momento em que conseguiram arrombar a porta. Encontraram o corpo caído sobre o sofá e o sangue que escorria molhando sua roupa branca.&lt;br /&gt;Mas vejam só. Nem todos que vestem branco são anjos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;George dos Santos Pacheco escreve: &lt;a href="http://revistapacheco.blogspot.com/"&gt;http://revistapacheco.blogspot.com/&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://www.esquinadoescritor.com.br/beco_do_crime/"&gt;http://www.esquinadoescritor.com.br/beco_do_crime/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contato com o autor: &lt;a href="mailto:pacheconetuno@oi.com.br"&gt;pacheconetuno@oi.com.br&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-8727112684239251894?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/8727112684239251894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/8727112684239251894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/10/um-anjo-redentor.html' title='Um anjo Redentor.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-1020921681156463208</id><published>2009-09-25T07:31:00.000-07:00</published><updated>2009-09-25T07:32:14.135-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Plínio Gomes'/><title type='text'>A dama da feiúra.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não existia nada mais medonho que olhar para ela. Sua feiúra era tamanha que nem mesmo ela conseguia se olhar no espelho, sua casa já não os possuía. Mas ela insistia em ter prazer, em deleitar-se em camas diversas e ter em seus braços homens que a fizesse esquecer-se do quanto o feio tinha lhe sido exposto e exagerado.&lt;br /&gt;Se fisicamente nada lhe parecia belo, sua voz compensava. De tom macio sem precedentes, seria capaz de mexer com os pensamentos de um padre só em dizer um ‘boa noite’. E era dona de uma lábia que venderia facilmente ouro em pó ou areia no deserto. Era assim que ela conquistava seus parceiros, primeiro em conversas pela internet, depois pelo telefone.&lt;br /&gt;A dama era capaz de entorpecer literalmente com a beleza de sua voz e com as palavras certas na hora certa. Mas ao chegar o momento, um desejo seu tinha de ser realizado, não queria luz, não queria ser vista. Com medo de uma trapaça de algum parceiro, ela sempre chegava vem vestida e com uma echarpe de seda cobrindo-lhe o rosto. Como sempre bebia junto ao homem que estivesse em sua companhia, manipulava algum relaxante junto à bebida.&lt;br /&gt;Usava todas as artimanhas da sedução para relaxar o objeto de seu desejo. Sempre havia dado certo, sempre tinha conseguido saciar-se de sexo. Mas naquele dia o cara corpulento não amolecia ao tomar o conhaque com relaxante. Por mais que ela lhe desse mais álcool batizado, nada fazia com que o homem ficasse da forma que ela sentisse tranqüila.&lt;br /&gt;De súbito o homem a agarrou e tirou a seda que lhe cobria o rosto. Abismado com a feiúra da mulher, deu-lhe um bufete que ela rodou e caiu sobre a cama. O ódio tomou-lhe a cabeça. Ela pegou a bolsa sobre a cama e sacou um estilete. Enquanto o homem lhe chamava de demônio, ela, num salto caiu sobre ele e aplicou-lhe o estilete repetidamente no pescoço. Os olhos vermelhos dele olhavam para aquele mostro que agora lhe fazia sangrar. Ainda assim, ela usou das mãos do homem para se masturbar e sentir prazer. Afinal, era para isso que ela estava ali, independente de ele estar vivo ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plínio Gomes escreve: &lt;a href="http://zingador.blogspot.com/"&gt;http://zingador.blogspot.com/&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://pliniogomes.blogspot.com/"&gt;http://pliniogomes.blogspot.com/&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://blogcabecascortadas.blogspot.com/"&gt;http://blogcabecascortadas.blogspot.com/&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://universoderetalhos.blogspot.com/"&gt;http://universoderetalhos.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Contato com o autor: &lt;a href="mailto:pliniogomess@hotmail.com"&gt;pliniogomess@hotmail.com&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-1020921681156463208?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/1020921681156463208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/1020921681156463208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/09/dama-da-feiura.html' title='A dama da feiúra.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-5119047681376979583</id><published>2009-09-18T08:54:00.000-07:00</published><updated>2009-09-18T09:10:03.291-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Afobório'/><title type='text'>Jornais no parque.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um homem precisa de inspiração sempre. Garoava e fazia muito frio. A fumaça do cigarro, do café e meu hálito quente misturavam-se no ar. O apartamento estava repleto de uma energia boreal. A serração e a chuva fina que o céu urinava davam um toque funesto que desesperançava meu cão interior. Vesti o casaco de couro, o jeans rasgado e o velho coturno de sempre. Respirei fundo, o ar frio abriu meu pulmão. Tive a impressão de que as gotículas de umidade que adentravam pelas minhas ventas congelavam dentro de meus alvéolos perdurados pela nicotina. A rua me recebeu com um vento insolente, cruzava enquanto raspava minha careca sem educação alguma. Tanto que a porta bateu e o vidro quebrou. Atravessei a praçinha sem graça e tomei o rumo do grande parque central da cidade.&lt;br /&gt;Pelo caminho, a chuva fina desenhava riscos aguados em meu casaco ralado. O crivo respingado logo perdeu o filtro, quebrou entre meus dedos melecados da vida. Sentia que a escuridão me abençoava sem medo. As folhas no chão estavam amareladas, desidratadas pelo corte da seiva, pareciam comigo, sugadas. Meu espírito fantasma vagava devagar. Meus olhos murchos encaravam a paisagem com tudo que ela me dava. Os carros passavam como tartarugas no meio de uma grande confusão. Invadi o espaço mínimo entre eles e atravessei a avenida para chegar até o passeio. As pessoas estavam com seus guarda-chuvas nas mãos, encarangadas, enrugadas como o couro de um lagarto. Eu até sentiria pena, se pudesse.&lt;br /&gt;Avistei a copa das árvores por entre os prédios, a imagem riscava um fundo verde escuro. Olhava o caminho por debaixo das marquises embolado como as ruas atravancadas de automóveis. Andava afastado dessa linha imaginária que a maioria preferia e sentia calor, tomando pingos na cara fechada. A ternura não me cai bem. Cheguei e fui até o banheiro. As merdas no chão e os rabiscos nas portas e nas paredes me deram de bel ver. Saquei o pau e urinei. Ah, que alívio. Subia fumaça do mictório congelado, parecia vapor.&lt;br /&gt;Ganhei a porta e avistei o chafariz vazio de água e cheio de folhas de jornais desmontados e abandonados. Olhei o banco azul todo chuviscado e rumei para ele. Sentei e acendi um cigarro. Fiquei sentindo o vento que balançava os galhos e minhas idéias. Os caminhos por entre o parque estavam vazios como meu coração. A queda livre da temperatura fazia o termômetro eletrônico da calçada instável. A cada grau despencado o dia ficava mais interessante. Aos poucos o vento ganhava força. Como um guerreiro incansável, apoiado pela garoa constante que riscava a paisagem de fiapos brancos em fundos coloridos, de acordo com a parede mofada de cada construção.&lt;br /&gt;Notei a presença do diabo. As folhas de jornais passaram a voar em bando, lentamente para o alto. Giravam em ciranda de criança triste como jamais vi. Fisgado pela imagem, afanei mais um crivo do maço amassado em meu bolso. Traguei e soltei um feixe vaporoso, fazia uma cor bonita em frente do preto e branco dos jornais endiabrados que bailavam antes do fundo que a cidade revelava. Era uma dança infinitamente tocante. Os jornais decolavam a partir do centro do chafariz como urubus, alguns partiam para longe, outros pousavam na galhada das árvores e mexiam com a força do vento num vai e vem sonolento.&lt;br /&gt;O tempo fechou ainda mais. Os jornais ganharam ainda mais altura, por causa do vento que aumentava de velocidade a cada segundo. O bando tornava-se cada vez mais numeroso, estava abandonado por Deus e a mercê dos urubus que imaginava. Chegou o momento de o meu cigarro desfalecer, assim que joguei a butuca, a danada correu até a beira do esverdeado cisne de cimento que não cuspia água para encher o chafariz. Minhas meninas encontraram um sapato de camurça em tom amarelado, rebocado de barro na sola. Fiquei firme. Alguns minutos depois, já não havia mais jornais dentro do chafariz, pois todos eles ganharam vôo. Era o diabo espantando os sombrios. Foi quando mirei o centro do chafariz e encontrei o menino. Sangrava na garganta e os olhos dele permaneciam perdidos no sem fim, tão frio quanto o dia e sem nenhuma manchete sobre ele. Levantei sem reação em meu semblante, era hora de voltar e pintar um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afobório escreve: &lt;a href="http://www.afoborio.blogspot.com/"&gt;http://www.afoborio.blogspot.com/&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://www.3ammagazine.com/brasil"&gt;www.3ammagazine.com/brasil&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://www.esquinadoescritor/beco_do_crime"&gt;http://www.esquinadoescritor/beco_do_crime&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Contato com o autor: afoborio@gmail.com&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-5119047681376979583?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/5119047681376979583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/5119047681376979583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/09/jornais-no-parque.html' title='Jornais no parque.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-9194930348287406016</id><published>2009-09-12T09:55:00.000-07:00</published><updated>2009-09-12T10:13:20.406-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Beto Canales'/><title type='text'>Um caso de amor?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que vila pequena! Era somente uma rua, de terra, com algumas casas ao largo e ao final uma praça, sem igreja ao fundo. Tudo meio empoeirado e avermelhado, cor da terra. Poucas árvores e só. O tempo não passava devagar por lá, ele não passava. Os poucos habitantes trabalhavam nas grandes estâncias que ficavam ao redor. Saíam cedo e voltavam tarde. No único estabelecimento comercial, somente charque e cachaça. Da ruim. Algum enlatado vencido e arroz a granel. Pedaços de pano e fitas e fumo em corda. Mais nada.&lt;br /&gt;Na soleira, sentada olhando o nada, uma menina de seus dezoito anos, por aí, vestida com uma saia poída e curta, mostrando as coxas roliças e morenas e uma blusa, que deixava os seios livres, de tecido quase transparente. Parecia esperar algo, apesar de não haver o que esperar. Nada passava, nada acontecia. Somente os dias, que iam acavalado-se uns sobre os outros, deixando a todos mais perto da morte. Ela era a caçula da vila. Nem nascimentos havia mais. Óbitos nem tanto. Há poucos dias mesmo, enterraram um morador que foi encontrado sentado numa cadeira de balanço, já em estado avançado de decomposição. Segurava nas mãos um bilhete, escrito pela ex-mulher, datado de cerca de dez anos antes, onde ela dizia que voltaria. Somente esperava juntar algum dinheiro e voltaria. Este era o futuro de quem espera algo ou alguém neste lugar: não só a morte, destino de todos, mas a solidão. Pois a menina, talvez por intuição, apesar de parecer, não esperava nada. Nem ninguém. Possuía na rotina invariável um aliado contra os dias que vinham também sempre iguais. Levantava quando os raios do sol entravam no casebre e seus pais saíam, usava uma bacia, que deixava preparada à tardinha, com água da sanga para se lavar, amassava o pão, assava, comia, sentava na soleira. Depois acendia o fogo, fazia o arroz com charque, comia, sentava na soleira. Antes da noite buscava a água e a escassa lenha, requentava o arroz e jantava com os pais, invariavelmente em um silêncio soturno. Uma que outra vez, algum vizinho pedia um pouco de fumo ou arroz. Deitava. Duas vezes por semana lavava os trapos que vestiam e os pendurava nos fundos da casa, sobre um arame farpado enferrujado e preto. E velho. Tudo parecia ser mais velho por lá. Inclusive ela, apesar de ser linda. Possuía um jeito e um rosto de mulher, apesar do corpo e a idade de menina. Era uma combinação estranha, mas bem sucedida. Fosse em qualquer outro lugar, já teria feito muito sucesso entre os homens. Mas lá, sequer conhecia alguém da mesma idade. Existia mais um solteiro na vila, duas casas depois, um rapaz doente que gritava todo começo de madrugada. Urrava sempre olhando o céu com uma das mãos tremendo de maneira frenética apontada para o sul. Todos já haviam acostumado. Ele dormia durante os dias e gritava durante as noites. Além dele, somente mais seis casais que também saíam cedo e voltavam tarde. Assim, sua companhia era o vizinho senil dormindo e mais ninguém. Para enfrentar os dias que sempre vinham, até na quebra da rotina ela criara uma certa rotina. Então, a cada lua cheia, dava-se ao luxo de fazer o que quisesse. Tomava banho de sanga, invadia as casas sempre abertas dos vizinhos (foi numa dessas visitas que descobriu o morto da cadeira de balanço), mexia nas poucas coisas que tinham, andava nua pela rua, fazia a comida em outra casa, enfim, o que viesse na ideia.&lt;br /&gt;Pois numa destas investidas, em silêncio porque estava na casa do vizinho doente que dormia, espiou pela fresta da porta entreaberta e viu o corpo do rapaz deitado, nu, com o amarelo do sol refletido em seu peito e filtrado pelos cabelos. Olhou e voltou a olhar. E novamente. Apesar de ter se tornado mulher há cerca de cinco anos, nunca sentira nada antes, muito menos algo parecido com o calor que subia lá de baixo e deixava seus mamilos rijos. Sentiu um tremor nas pernas e um molhado denso entre elas. Saiu com pressa e correu os metros que a separavam da soleira. Ofegante, coloca uma mão na boca e a outra entre as pernas abertas, fecha os olhos e permanece até o anoitecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite estava clara, o rapaz levanta do colchão de palha, olha para fora e sai. Come o que encontra espalhado, e vai para frente de casa. Vira para o sul, aponta o dedo e grita. Grita o mais que pode. Grita e chora, e pragueja, e xinga e torna a gritar. Faz tanta força na mão apontada para o sul que ela treme como vara verde. Pára pouco antes de ficar afônico, senta e espera a noite amadurecer olhando para o céu. E ele gira lá em cima mostrando que o tempo passou. Em silêncio, caminha duas casas abaixo, faz a volta até os fundos. Encosta-se numa janela aberta e fica olhando, através dela, sob a luz da lua, o corpo prateado da menina, as formas difusas e belas. E delicia-se com a imagem, protegido pela escuridão. Não pensa em nada, em mais nada, exceto no corpo adormecido e puro, e se masturba com vigor. Assim faz todas as noites. Pouco antes do dia amanhecer, já voltando para sua casa, reconsidera que os gritos e a performance noturna ainda eram o melhor jeito de proteger sua vida, seu desejo, seu amor. Então, espera ansioso o dia passar e quando a noite se debruça sobre tudo, novamente os gritos, os choros, o desespero e a sua menina depois. Assim foi nos próximos e nos distantes dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina mudou a rotina. Agora visitava a casa vizinha todos as tardes. O molhado começou a ser diário e ela acabou descobrindo o prazer. Também, nos próximos e distantes dias, fez tudo igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foram felizes para sempre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Beto Canales escreve: &lt;a href="http://cinemaebobagens.blogspot.com/"&gt;http://cinemaebobagens.blogspot.com/&lt;/a&gt; - http://&lt;a href="http://www.3ammagazine.com/brasil"&gt;www.3ammagazine.com/brasil&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://sexoecrimecialtda.blogspot.com/"&gt;http://sexoecrimecialtda.blogspot.com/&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://www.e-blogue.com/blogs/"&gt;http://www.e-blogue.com/blogs/&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://www.esquinadoescritor.com.br/beco_do_crime/"&gt;http://www.esquinadoescritor.com.br/beco_do_crime/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Contato com o autor: &lt;a href="mailto:3am.beto@gmail.com"&gt;3am.beto@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-9194930348287406016?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/9194930348287406016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/9194930348287406016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/09/um-caso-de-amor.html' title='Um caso de amor?'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-4597643741554715621</id><published>2009-09-08T05:49:00.000-07:00</published><updated>2009-09-08T05:52:47.502-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jana Lauxen'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><title type='text'>Ladrões do Tempo.</title><content type='html'>- É só apertar no reck e no play, ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;- Mas que merda, Ronaldo! Não tinha nenhum aparelho mais moderno para trazer não? Vamos gravar aquilo que poderá mudar toda a história da humanidade numa porcaria de gravador comprado num camelô?&lt;br /&gt;- Dane-se a história da humanidade, Téo, não vê que já está gravando? Cale essa boca.&lt;br /&gt;- Óquei, óquei.&lt;br /&gt;Pigarreou e prosseguiu, falando bem baixinho.&lt;br /&gt;Estava desconfortável embaixo daquela mesa.&lt;br /&gt;- Estamos aqui, eu, Téo Soares, e meu companheiro, Ronaldo Altair, para provar aquilo que a humanidade já imaginava...&lt;br /&gt;- Que chato, você! Porque fala tanto em humanidade, heim? Que obsessão!&lt;br /&gt;- Dá para ficar com essa maldita boca fechada? Você está me interrompendo!&lt;br /&gt;- Tá, desculpa, vá em frente Dr. Humanidade.&lt;br /&gt;Téo resmungou.&lt;br /&gt;- Como eu dizia, estamos aqui para confirmar aquilo que todas as pessoas já desconfiavam, apenas não conseguiam acreditar – e deteve-se, fazendo mistério – O que você vai escutar agora é uma reunião entre os homens que estão roubando o nosso tempo. Sim, meus caros amigos, vocês não ouviram errado: estamos sendo assaltados impiedosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se acomodou melhor e viu que Ronaldo estava distraído.&lt;br /&gt;Pensou que o amigo era um paspalho mesmo, e que deveria ter chamado outra pessoa para ajudá-lo a desvendar crime tão safado.&lt;br /&gt;Crime que Téo não demorou a perceber.&lt;br /&gt;Demorou, sim, a acreditar.&lt;br /&gt;Até porque não fazia nenhum sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite reparou que seu dia havia sido menor que o dia anterior.&lt;br /&gt;Era um homem pragmático, com uma rotina muito bem planejada: as sete acordava, as 8 ia trabalhar, as 9 ia ao banheiro (seu intestino era um relógio), as 10 tomava seu comprimido para dor de cabeça.&lt;br /&gt;Um belo dia acordou as 7 e 5, e faziam 22 anos que ele acordava às 7 em ponto.&lt;br /&gt;No outro, chegou 11 minutos atrasado no trabalho.&lt;br /&gt;E havia saído de casa no mesmo horário, não havia enfrentado engarrafamentos, nada.&lt;br /&gt;Como poderia?&lt;br /&gt;A gota d’água aconteceu quando, ao invés das 9, foi ao banheiro as 9 e 10. Não podia ser possível, seu intestino jamais cometeria tamanho atraso!&lt;br /&gt;Então começou a notar.&lt;br /&gt;Seus horários estavam todos errados: acordava as 7 e 5 e passou a chegar atrasado em tudo quanto era compromisso – tanto que precisou sair 10 minutos mais cedo de casa, toda vez.&lt;br /&gt;E para isso precisou acordar e ir dormir 10 minutos antes.&lt;br /&gt;Apelou para o despertador, pois não estava acostumado a mudanças bruscas de horários.&lt;br /&gt;E foi aí que teve certeza.&lt;br /&gt;Programado para apitar às 7, as 7 o despertador apitou.&lt;br /&gt;Téo abriu os olhos, espreguiçou-se, sentou na cama.&lt;br /&gt;E já haviam passados 10 minutos!&lt;br /&gt;De uma hora para outra e num piscar de olhos, literalmente.&lt;br /&gt;Levantou sobressaltado e decidido a descobrir que merda estava acontecendo.&lt;br /&gt;Não era possível: ele viu as horas quando abriu os olhos, e eram 7, e então sentou na cama e já haviam passados dez minutos?&lt;br /&gt;Será que o relógio havia enlouquecido?&lt;br /&gt;Será que ele havia enlouquecido?&lt;br /&gt;Correu até a cozinha e verificou o relógio de parede: 7 e 12.&lt;br /&gt;Como nunca havia percebido nada?&lt;br /&gt;Logo Téo, tão observador!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligou para a empresa e avisou que não iria trabalhar porque estava doente.&lt;br /&gt;Havia bolado um plano – um plano bastante monótono, é verdade, mas um plano: passaria o dia inteiro olhando seu próprio relógio virar minuto a minuto, segundo a segundo.&lt;br /&gt;Por mais descabido que pudesse parecer, Téo tinha certeza que haviam roubado dez minutos do seu dia.&lt;br /&gt;E assim passou, olhos fixos nas horas.&lt;br /&gt;E foi-se a manhã, e foi-se a tarde.&lt;br /&gt;Téo já começava a sentir-se um imbecil:&lt;br /&gt;- Tenho que parar de assistir ficção científica.&lt;br /&gt;Seus olhos doíam, mas ele pôde ver quando aconteceu: às cinco e catorze da tarde, ao invés do relógio virar para cinco e quinze, trocou para cinco e vinte e quatro.&lt;br /&gt;Levantou assombrado.&lt;br /&gt;Olhou imediatamente para o relógio na parede e, inexplicavelmente, ali também haviam transcorrido dez minutos em um.&lt;br /&gt;Sentiu seu coração acelerar e bater em sua garganta.&lt;br /&gt;Estavam mesmo roubando seu tempo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem e por quê?&lt;br /&gt;Seria só o seu ou também o das outras pessoas?&lt;br /&gt;Telefonou para quatro amigos e pediu as horas, e todas conferiam com a de seu relógio usurpado.&lt;br /&gt;Seu relógio não, pensou, sua vida!&lt;br /&gt;Quantos minutinhos já não tinham misteriosamente desaparecido, sem que ninguém pudesse dar-se o trabalho de perceber?&lt;br /&gt;Claro, eram pouquinhos, quem notava deveria acreditar que era a vida, que andava corrida, e nunca o tempo, que era roubado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, lá estava novamente Téo, ligando para a empresa para avisar que ainda estava doente.&lt;br /&gt;Queria saber quantas vezes a cada 24 horas os safados, sejam lá quem fossem, roubavam seus minutos vitais.&lt;br /&gt;No final das contas isso deveria representar uns bons anos de vida.&lt;br /&gt;Então era por isso que acreditávamos que as pessoas viviam mais quando, na verdade, os anos é que estavam mais curtos.&lt;br /&gt;Que terrível.&lt;br /&gt;Muniu-se com café e sentou-se na frente do relógio.&lt;br /&gt;De vários relógios, na verdade.&lt;br /&gt;Precisava ter certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez demorou mais.&lt;br /&gt;Já fazia quase 18 horas que estava ali, sentado, quando observou: das 22 e 3 os relógios passaram para 22 e 10.&lt;br /&gt;Inclusive os que estavam adiantados e atrasados: todos saltaram 7 minutos.&lt;br /&gt;Téo anotou isso em sua caderneta.&lt;br /&gt;Depois, somente às duas da manhã os relógios pularam novamente, e desta vez 10 minutos.&lt;br /&gt;Só aí já foram 17.&lt;br /&gt;E às 5 da manhã, quando o pobre mal conseguia manter os olhos abertos e sua gastrite já avisava que era hora de suspender o café, aconteceu de novo: das 5 e 5 fomos para as 5 e 13.&lt;br /&gt;25 minutos roubados descaradamente em 24 horas.&lt;br /&gt;175 minutos por semana, 750 por mês, 9 mil 125 por ano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava chocado, mas, principalmente, intrigado.&lt;br /&gt;Quem, onde, porque, de que jeito?&lt;br /&gt;Foi o que descobriu, após muita investigação.&lt;br /&gt;E agora estava ali, embaixo de uma mesa, prestes a comprovar por A + B o que já tinha certeza absoluta: estavam roubando o nosso tempo.&lt;br /&gt;Safados.&lt;br /&gt;Só se incomodava de ter de registrar tão significativo momento em um gravador de camelô.&lt;br /&gt;Fitas cassetes, quem usa isso ainda?&lt;br /&gt;E Ronaldo foi uma péssima escolha para assistente de investigação, pensava Téo.&lt;br /&gt;Era muito burro, e parecia pouco se importar com o que estavam prestes a comprovar.&lt;br /&gt;Seriam condecorados, considerados heróis, talvez ganhassem até uma estátua no Museu de Cera, e Ronaldo ali, mascando um chiclete.&lt;br /&gt;Então, um estalo chamou a atenção dos dois para o gravador.&lt;br /&gt;Os botões reck e play simplesmente desligaram.&lt;br /&gt;Téo os pressionou novamente, mas era como se as molas do acionador tivessem arrebentado.&lt;br /&gt;- Mas que porra é essa?&lt;br /&gt;Ronaldo fez uma careta:&lt;br /&gt;- Putz, parece que o gravador estragou.&lt;br /&gt;- Estragou é? Pois o que deveria estar estragado era o espermatozóide do teu pai, seu maldito! E agora, o que vamos fazer? O que será de nós? O que será da humanidade?&lt;br /&gt;- Ah, quer saber? Não tô nem aí para a humanidade. Lamento pelo que me roubam nos finais de semana, mas se quiserem continuar levando meu tempo de trabalho, fazem é um favor. E tô indo, porque ficar acocado embaixo dessa mesa destruiu meu nervo ciático.&lt;br /&gt;Ronaldo saiu, abriu a porta e se foi.&lt;br /&gt;Então eles, os usurpadores, entraram e acomodaram-se em seus lugares: a reunião ia começar.&lt;br /&gt;E Téo ficou ali, com o gravador estragado na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;#&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma coisa precisamos admitir: ele conta esta mesma história, em cada minúsculo detalhe, desde que chegou aqui.&lt;br /&gt;- Daria um bom escritor, se não estivesse demente.&lt;br /&gt;- O mais engraçado é que ele foge de todos os protótipos de doentes mentais que já conheci, e olha que lá se vão 30 anos trabalhando em manicômios. Téo é um sujeito muito pacífico, fala pausadamente, não perde nunca a tranqüilidade e, o mais impressionante: não se contradiz.&lt;br /&gt;- O que não significa que não esteja louco.&lt;br /&gt;- Claro que não. Onde já se viu, ladrões de tempo... Por mais que, muitas vezes, eu também tenha essa impressão, sabemos que o tempo é algo impossível de ser surrupiado.&lt;br /&gt;Médico e enfermeira observaram por mais alguns minutos Téo sentado em sua cama, olhando fixamente para um relógio de pulso parado.&lt;br /&gt;- Doutor, não quero lhe apressar, mas já são 6 horas.&lt;br /&gt;- 6 horas? Meu Deus, o tempo voou! Agora a pouco eram cinco e meia! Tenho uma reunião, preciso correr. Até mais.&lt;br /&gt;- Até.&lt;br /&gt;E lá dentro do quarto gradeado e branco, Téo resmungava com a mesma parcimônia que lhe era característica:&lt;br /&gt;- O tempo não voa. O tempo desaparece.&lt;br /&gt;A enfermeira suspirou e percebeu que já eram 6 e 10.&lt;br /&gt;- Nossa! Preciso ir também.&lt;br /&gt;E nas paredes de todo o mundo, todos os relógios continuaram a virar, segundo a segundo, minuto a minuto.&lt;br /&gt;Sem que ninguém pudesse perceber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jana Lauxen escreve: &lt;a href="http://www.janalauxen.blogspot.com/"&gt;http://www.janalauxen.blogspot.com&lt;/a&gt;,  &lt;a href="http://www.3ammagazine.com/brasil"&gt;http://www.3ammagazine.com/brasil&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cafeespacial.wordpress.com/"&gt;http://cafeespacial.wordpress.com&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.jornalvaia.com.br/"&gt;http://www.jornalvaia.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Contato com a autora: &lt;a href="mailto:3am.jana@gmail.com"&gt;3am.jana@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-4597643741554715621?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/4597643741554715621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/4597643741554715621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/09/ladroes-do-tempo.html' title='Ladrões do Tempo.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-141382065818869334</id><published>2009-09-02T11:46:00.000-07:00</published><updated>2009-09-02T11:52:34.570-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Denise Ravizzoni'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><title type='text'>Fome.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Santos tinham visões porque jejuavam. Nada de divino, poderoso, extraordinário. Pura e simples inanição. Falta de nutrientes, hipoglicemia. Dias e dias sem comer resultavam em miragens, algo como sonhar colorido de olhos bem abertos. Os profetas tinham revelações da fome.&lt;br /&gt;Ela sentou-se à janela olhando o azul bruto do céu e perguntou a ninguém se outras fomes poderiam provocar alucinações. Períodos longos de privações afetivas produziriam algum tipo de ilusão sensorial? Anos de sexo sem orgasmo fariam que tipo de efeito psicodélico surgir de repente, do nada? Não sabia. Intuía que coisas nela haviam mudado, acontecido. Sabia por que tinha tido visões. Na primeira vez, achou que fosse apenas um desmaio seguido de um estranho sonho desconexo. Nas outras três, houve apenas o medo, seguido de uma inexplicável calma interior.&lt;br /&gt;Pensava se estaria louca, insana, alguma coisa embolorando dentro do cérebro. Não! Suas capacidades respondiam perfeitamente às necessidades. Tudo normal. A mutação ocorrera, era fato. Porém, nada de externo a denunciava como diferente. Nada mostrava ao mundo ser ela a nova profetisa do grande vazio, mártir caótica sem inquisição, santa sem hordas em procissão ou prece.&lt;br /&gt;Sabia só que tinha um propósito, uma missão. Sem cultos, templos, nem fiéis. Apenas uma tarefa a cumprir em gratidão ao dom recebido. A quem servia? Isso ela não sabia. Talvez a nada, a ninguém. Mesmo assim, seguia em frente no que se tornara o trabalho da sua vida. Tarefa solitária, lenta, desalentadora, mas dela.&lt;br /&gt;Voltou a cabeça quando percebeu que o som da água que caía do chuveiro havia cessado. A porta se abriu e viu que ele surgia sorridente no quarto, vindo do banheiro. Ela também sorriu. Ele abraçou-a. Ela o beijou com enorme doçura e se abriu para recebê-lo em sua vagina repleta de novos e afiados dentes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Denise Ravizzoni escreve: &lt;a href="http://sexoecrimecialtda.blogspot.com/"&gt;http://sexoecrimecialtda.blogspot.com/&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://e-blogue.com/blogs"&gt;http://e-blogue.com/blogs&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://www.3ammagazine.com/brasil"&gt;http://www.3ammagazine.com/brasil&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://www.esquinadoescritor.com.br/Beco_do_Crime"&gt;http://www.esquinadoescritor.com.br/Beco_do_Crime&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://deniseravizzoni.blogspot.com/"&gt;http://deniseravizzoni.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Contato com a autora: &lt;a href="mailto:denise_ravi@hotmail.com"&gt;denise_ravi@hotmail.com&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-141382065818869334?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/141382065818869334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/141382065818869334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/09/fome.html' title='Fome.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-3711741968949963004</id><published>2009-08-29T05:40:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:46:31.239-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leandro Fonseca'/><title type='text'>O louco de Paris</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Em seu camarim, Penélope ainda ouvia os aplausos abafados pelas paredes, pessoas surgiam à porta do recinto, acompanhadas de flores e presentes. De olhos marejados, a dançarina agradecia cada elogio que recebia com um largo sorriso no rosto. O tempo no relógio fora passando, e com ele, as pessoas que iam embora do teatro, até todo o local ficar vazio. Ali, apenas restavam duas faxineiras, recolhendo pipocas e sacos plásticos entre os bancos da platéia, Penélope e sua amiga Camille, que ainda tagarelavam distraidamente dentro do camarim, entre um cigarro e outro. Penélope olhou para o relógio, percebendo o tempo ter passado rápido. Com a ajuda de sua companheira, recolheu os presentes recebidos e alguns ramalhetes de flores.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Saíram do teatro, ambas carregando caixas de bombons, cartas e bilhetes, coisas que a dançarina fazia questão de guardar com carinho. Ventava forte nas desertas ruas de Paris, parcialmente iluminadas pela esplêndida lua cheia estampada no céu. Enquanto Camille comentava sobre o desempenho da amiga no espetáculo daquela noite, o vento uivava entre as árvores daquela extensa alameda. Penélope cobria o corpo com o longo casaco de pele, acendendo um novo cigarro.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Ela havia notado o quanto o frio embelezava a face de Camille, deixando as maçãs de seu rosto levemente ruborizadas. A amiga de repente parou de falar, empacando no meio da calçada, de olhos vidrados em um bordel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Colado na parede de tijolos, um grande cartaz anunciava um rosto atípico, e em cima da fotografia, “PROCURA-SE”, em letras vermelhas e garrafais. Camille colou o corpo nos braços da amiga, apontando o dedo em riste para o cartaz. Gaguejando, dizia ser aquele homem da foto um perigoso assassino, que havia feito de mais de dez parisienses suas vítimas. Penélope ficou a olhar a fotografia, os olhos fixos em cada letra do cartaz; não por medo, mas por mera curiosidade. Na verdade, Penélope não ouvia mais as notícias do rádio, a carreira artística havia sugado toda sua atenção, dedicando-se exclusivamente à dança e esquecendo-se do mundo exterior. Puxou a amiga para frente, retomando a caminhada, ainda intrigada com aquela tenebrosa foto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ambas, após alguns minutos a mais de caminhada, pararam em frente a um velho prédio. Camille olhou para a companheira, deslizando as mãos geladas pelos fartos cabelos negros da dançarina. Ela tirou uma das flores de um buquê que Penélope carregava nos braços, e colocou-a entre uma das orelhas dela. A dançarina aproximou os lábios nos de Camille e despediu-se com um longo beijo. Após alguns abraços e carícias, Penélope saiu do local, tendo tempo ainda de ver Camille entrar na porta do edifício e despedir-se com um sorriso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Na verdade, não gostava de estar sozinha. Estava próxima de sua residência, mas o barulho das próprias sandálias batucando no chão causava-lhe certo arrepio. Adentrou em um beco mergulhado em escuridão, os postes apenas enfeitando o lugar. Jogou os objetos que carregava em cima de um banco de madeira, ajeitou o casaco de pele e sentou-se, tentando empilhar as caixas para melhor serem transportadas até sua casa. De repente, ouviu ruídos estranhos àquela noite. Virou o rosto, avistando, ao fundo, a silhueta de um homem de cartola. Percebeu que aquele estranho barulho que havia escutado vinham de dois cães amarrados em suas coleiras, presas pelas mãos do homem. O estranho não andava: parado como uma estátua funesta, tentava segurar os animais que pareciam ser bem mais fortes que seus braços. Foi quando um feixe de luz, proveniente da lua, clareou o rosto do homem, deixando à mostra um par de olhos cinzentos, uma boca de finos lábios e um pequenino óculos pairado no nariz adunco daquele velho de brancos cabelos como neve.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Penélope, então, reconheceu o rosto daquele ser. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A boca abriu-se em um grito, um dos cães, com terrível agilidade, correra em direção à dançarina, que teve tempo apenas para lançar o próprio corpo contra o chão revestido de paralelepípedos. O animal avançou contra ela, mordendo-lhe uma das pernas com sua salivante bocarra. Aos gritos, ela sentia seu corpo sendo arrastado por uma força descomunal, suas mãos tentavam agarrar-se em qualquer objeto. O outro cão avançou a latir estridente, enquanto o outro mastigava com os dentes afiados o tornozelo de Penélope. Ela sentiu uma lufada de ar quente em seu pescoço, um hálito horrível entrou em suas narinas, um odor repugnante, de carne pobre. Um de seus braços fora puxado pela boca do segundo cão, que triturava a carne da dançarina com voracidade. A dor era terrível. Ela podia sentir sua pele descolar lentamente de sua carne, o sangue respingar no próprio rosto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O velho da cartola aproximou-se da cena, os braços atrás das costas, e pacientemente sentou-se no banco de madeira, abrindo logo em seguida uma das caixas de chocolate que Penélope havia sido presenteada. Vendo aquele macabro espetáculo, mordia com suavidade o bombom que derretia em sua boca, enquanto a dançarina não mais gritava; entregue à morte, deixava o corpo ser dilacerado pelos dois abomináveis animais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O velho, após comer todos os bombons daquela caixa, puxou para perto de si o par de cães, que tinham as bocas e focinhos empapados de sangue, pedaços de carne entre os dentes pontiagudos. Ele ergueu-se, olhou ainda os pedaços do corpo retalhado, espelhados pelo chão, e retirou-se do lugar, assoviando uma cantiga improvisada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O sangue de Penélope pintava os paralelepípedos daquele beco de Paris, como um artista a dar vida à uma tela vazia. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Leandro escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://caixaamarela.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://caixaamarela.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://tropeceiemumaideia.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://tropeceiemumaideia.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Contato com o autor: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:dii_lugh@yahoo.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;dii_lugh@yahoo.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman','serif';"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-3711741968949963004?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/3711741968949963004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/3711741968949963004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/08/o-louco-de-paris.html' title='O louco de Paris'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-3657749546698882017</id><published>2009-08-23T11:47:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:45:35.109-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cisticerco'/><title type='text'>Olhos azuis</title><content type='html'>&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Linda. Ela era simplesmente linda. &lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Tinha os olhos azuis mais fantásticos que ele já havia visto até aquele momento da sua vida. Ele não conseguia encontrar nada que pudesse comparar com o brilho daqueles olhos. Amor à primeira vista. Literalmente. Diria ele mais tarde a ela. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Hanna era seu nome. Olhos lindos. Uma mulher fascinante. Hanna era a mulher perfeita. Linda, cabelos claros longos, rosto de menina, corpo perfeito. O longo vestido branco de alças delicadas, que deixava a mostra sua pele clara, delineava seu corpo perfeito e chamava a atenção de todos a sua volta. Um sorriso que transmitia pureza. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Conheceram-se por acaso numa festa de um amigo em comum, numa praia do litoral norte de São Paulo, durante as festas de final de ano. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ele, já meio tonto de tanta bebida, acabara queimando o braço de Hanna com o cigarro sem querer. Antes de conseguir se desculpar já tinha levado um tapa na cara. Sem reação, ficou apenas olhando para aqueles olhos azuis, que lhe fuzilaram de ódio naquele momento. "Desculpe-me", foi o máximo que conseguiu dizer naquele momento. Que olhos lindos. Que olhos perfeitos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Acabaram se tornando amigos e antes do final da festa, já se podia ver os dois passeando de mãos dadas pela praia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A luz da lua fazia seus olhos brilharem ainda mais. Aquele momento, único, era um presente da vida para ele. Nunca havia conhecido mulher tão linda, tão inteligente, tão simpática e com um beijo tão gostoso como o dela. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sempre se orgulhou de sua vida de solteiro, mas naquele momento jogaria tudo para o alto por ela. Solteirice, bebedeiras, boates e baladas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Hanna era o seu nome. Era perfeita. À noite de ambos terminou no apartamento dele. Da varanda do apartamento se podia ver toda a praia. Bem mais longe, as luzes da cidade tornavam tudo perfeito. Sua vontade era ficar olhando para ela a vida inteira. Os olhos azuis mais lindos que já havia visto. À noite de amor mais perfeita que um homem poderia querer ter. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;E agora, cerca de um ano e quatro meses depois, estavam eles novamente na mesma praia onde se conheceram. Onde ele fez suas promessas de amor eterno para ela. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Hanna. Através daqueles olhos ele viu o futuro de ambos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ela o olhava. Seus olhos continuavam fascinantes. Enterrada na areia da praia, próxima ao mar, com apenas a cabeça para fora, ela o olhava. Uma fita adesiva cobria seus lábios. Apenas seus olhos azuis podiam gritar em desespero enquanto ele acabava de jogar mais uma pá de areia no buraco em que ela estava. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Hanna. Como teve coragem de me trair? Depois de tudo que prometemos um ao outro? Como teve coragem de olhar para outro? Deixar outro homem olhar seus lindos olhos. Os olhos que me pertenciam. Os olhos que eu amava. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Presa na areia e com a boca vendada, o máximo que Hanna conseguia era olhá-lo desesperada. Seus olhos pediam perdão ao mesmo tempo em que o amaldiçoavam. Seus olhos azuis. Aqueles olhos que ele tanto amou. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A maré subia rapidamente àquela hora da noite. A praia estava deserta. Ele se agachou, beijou-a na testa e com uma faca arrancou os dois olhos de Hanna. Ela se debatia desesperada enquanto ele cortava seu rosto e com os dedos puxava-os para fora. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Enfiou os olhos no bolso da jaqueta e se afastou dela. De longe ficou olhando a maré subir até encobrir totalmente o amor da sua vida. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#000000;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#000000;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Cisticerco escreve: Cisticerco escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://cisticerco.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://cisticerco.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Contato com o Autor: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.skypizza@hotmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;www.skypizza@hotmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoPlainText" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Courier New';"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-3657749546698882017?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/3657749546698882017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/3657749546698882017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/08/olhos-azuis.html' title='Olhos azuis'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-8932826464836621766</id><published>2009-08-18T19:15:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:45:05.779-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Plínio Gomes'/><title type='text'>Nossa Senhora do Bom Parto</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Um dia de cão. A estafa me consome. A medicina é uma benção, mas para quem decide trilhar por esse caminho precisa estar preparado para dias como o dia de hoje. Tudo que precisava era de algo que me tirasse do ar, para eu não pensar em nada, em nenhum ser humano. &lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Meus colegas dizem que os seus plantões dão até para tirar um cochilo. Mas parece que todos decidem ficar doente do sábado para o domingo, justamente o dia do meu plantão. Tive que reanimar três pacientes com parada cardíaca. Outro com câncer que ainda não tinha sido diagnosticado, mas pelo andar da carruagem da morte, ele não demora muito, está em estágio avançado.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Tudo isso cansa muito. Escolhi a medicina por amor, por paixão. Dinheiro é bom sim, não sou nenhum comunista, gosto do dinheiro, mas a medicina está em minha vida acima de qualquer coisa. Mas desde que me formei, depois de acabar a residência, nunca tirei férias, e lá se vão quatro anos. Estou muito cansado, preciso desligar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Foi aí que descobri o quanto o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;clorofórmio&lt;/i&gt; faz bem. Tinha ouvido de outros médicos, que não existe nada melhor para relaxar que cheirar &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;clorofórmio&lt;/i&gt;. A ação é rápida, um estado de sair de dentro de si, de perder o controle dos músculos. Dou risada sozinho, realmente me sinto bem quando estou cheirando. Sempre consigo com os amigos farmacêuticos, daí depois dos plantões gosto de espairecer. E quando chego a minha casa, todo o estupor já passou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Mas parecia que os santos todos não estavam indo muito com minha cara. Peguei um puta transito até chegar ao beco que sempre paro o carro e relaxo e que fica próximo a minha casa. Mas num percurso que faço em no máximo vinte minutos em dias normais, hoje fiz em quase uma hora. Mas tudo bem, afinal, eu estava próximo de me desligar de tudo, porque depois de cheirar bastante, eu iria para um bom banho e depois cair na cama. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Parei o carro, antes de tudo, fumei um cigarro. Mas fumei como se deve fumar – apreciando cada tragada, não pensando em nada além do ato de fumar. Foi nesse momento que vi uma mulher passar pelo carro, até levei um susto. Mas relaxei. Era uma dessas moradoras de rua. Ela estava acompanhada de muitos cães, alguns inclusive com &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;calazar.&lt;/i&gt; A mulher carregava um saco cheio de vasilhas plásticas, certamente as tinha catado nos lixos da cidade. Eu já tinha visto essa mulher pelas redondezas e sabia inclusive que ela estava grávida. Sua barriga estava enorme. Ela fumava um cachimbo. Mas depois percebi que não era um cachimbo comum, era daqueles que os drogados usam para fumar crack. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Como uma criatura grávida podia fazer aquilo? No ímpeto da ética, na missão da minha profissão pensei em intervir, em ir lhe falar, mas meu estado de estafa não permitia isso, afinal era uma drogada, uma moradora de rua, que certamente estava sorvida pelas drogas há muito tempo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Voltei a me concentrar no meu momento. Afinal, estava ali para isso. Molhei a gaze com o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;clorofórmio, &lt;/i&gt;e dei a primeira cheirada. Meu corpo começou a deslizar pelo banco do carro. Como é boa essa sensação. Sair de si. E fui cheirando, cheirando. Depois eu já chupava o líquido como se fosse gelo derretendo. E como num feixe de ilusão ouvi um grito. Estrondou pelo beco e por meus ouvidos sensíveis. Eu estava sob efeito do cloro, e tudo passou a ser tenebroso. Saí do êxtase para entrar numa onda de horror. Porque comecei ver tudo de uma forma diferente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Percebi que além dos gritos, ela chamava por nossa senhora do bom parto. Os cães latiam ao redor dela. E isso dava um ar nebuloso e de pavor ao beco. Sabia que ela estava em trabalho de parto, via como ela se contorcia. Mas eu não conseguia vê-la como um ser humano. Em minha viagem, ela era a sombra louca da noite. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Eu chupava a gaze molhada de cloro e as sensações iam e vinham me deixando mais calmo, me distanciando dos gritos. Mas logo eu conseguia ver aquela sombra feminina e consegui entender que os cães esperavam o filho e um deles poderia ser o genitor da cria que dali sairia. A mulher-sombra-da-noite chamava por uma santa que nunca ouvi falar. E logo ela que a pouco puxava uma fumaça em seu cachimbo, estendia sua voz a nossa senhora do bom parto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%;font-family:arial;" &gt;Vi a criança-cão despontar pelas entranhas da mulher, acho que a santa a ajudou, mas era um serzinho miúdo. Os cães rodavam, latiam. Acho que feliz pelo filho nascido. Eu puxava o liquido da gaze. E comecei a entender. Os cachorros esperavam uma refeição. A mulher estava fraca, seu sangue corria. A criança não chorava. Os cães começaram a brigar pela comida. Rosnavam, latiam. Eu nada podia fazer. A mulher estendeu o braço com o resto de forças que tinha e pegou o cachimbo e o acendeu levando-o até a boca. Tragou profundo. Eu dei outra puxada na gaze, acho que estou desmaiando...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%;font-family:arial;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Plínio Gomes escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://zingador.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://zingador.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pliniogomes.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://pliniogomes.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://blogcabecascortadas.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://blogcabecascortadas.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;a href="http://universoderetalhos.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://universoderetalhos.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Contato com o autor: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:pliniogomess@hotmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;pliniogomess@hotmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-8932826464836621766?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/8932826464836621766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/8932826464836621766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/08/nossa-senhora-do-bom-parto.html' title='Nossa Senhora do Bom Parto'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-4662546886036742292</id><published>2009-08-14T13:18:00.000-07:00</published><updated>2009-08-14T13:21:52.301-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Afobório'/><title type='text'>Infiel.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A vida de um novo autor é dureza. Estava em dificuldades e minhas economias pela metade. Apelei. Fechei o negócio com um corretor de imóveis online. A casinha ficava numa cidadezinha que não exigia grandes rendimentos e me livrava do alto custo de vida na metrópole. Vi algumas fotos do casebre, paguei e mudei. Tomei o ônibus em menos de uma semana.&lt;br /&gt;Embolei a garganta logo que Cheguei. A urbezinha exalava cheiro de poeira, o tempo dava a impressão de que não corria e tudo parecia morto. Até o sol estava sem vida por aquelas bandas. Olhei para os lados e vi aquele bar escuro, não havia ninguém atrás do balcão, acho que não existia um número suficiente de fregueses capaz de preocupar o responsável pelo atendimento. O guichê das passagens também estava vazio, acho que o fluxo de passageiros também não era aceitável para manter o atendente atento em seu posto.&lt;br /&gt;O chão era sujo e o motorista do ônibus fazia cara de tédio enquanto esperava pelo horário de seguir. O cobrador desceu com calma para ver se havia alguma encomenda, foi a primeira vez que o vi tão lento desde que entrei naquele transporte, o cara parecia intoxicado por uma poção lerda, pesada. Quando o cobrador voltou, apresentei o bilhete e retirei minha bagagem. A terra era vermelha, grudava na barra da calça e na mochila.&lt;br /&gt;Foi quando o ônibus partiu sem nenhum passageiro novo e sem nenhuma nova encomenda. O motorista e o cobrador pareciam aliviados pela partida. Fiquei olhando o ônibus sumir por entre a poeira que subia do chão. O vento era frio, não havia ninguém pela rua, era estranho, ainda mais para um homem que veio da agitação da cidade grande. O tempo estava emburrado, mesmo assim todo aquele marasmo me parecia exacerbado para uma sexta-feira de tarde. E depois, com ou sem ventania, todos precisam ir e vir o tempo todo e por vários motivos.&lt;br /&gt;Minha garganta seca me provocava para que entrasse no bar, mas estava receoso, era tudo tão feio e abandonado que num primeiro momento hesitei. Permaneci parado por alguns instantes, estava na dúvida entre ir para meu novo lar ou esperar que o tempo decidisse o que queria, por que sempre odiei andar embaixo de chuva, por isso temia em me arriscar pela rua.&lt;br /&gt;Olhei mais uma vez em volta e o vento me surpreendeu de novo, encheu minha garganta com aquela terra de que falei. O gosto de barro tomou conta de meu paladar, não havia outro jeito, por isso tive de entrar no bar. Vi a mulher sentada na mesa - quase imperceptível, por causa da penumbra que afrontava a grande porta lateral - com uma máquina de calcular bem ao lado de um calhamaço de dinheiro.&lt;br /&gt;- Bom dia. - falei, meio sem jeito, tentando me fazer visível, depois de permanecer em pé ao lado dela por mais de 5 min.&lt;br /&gt;Ela não respondeu.&lt;br /&gt;- Oi. Preciso de uma água. - chamei novamente.&lt;br /&gt;A gorda levantou calada, contornou o balcão e alcançou uma garrafa 600 ml.&lt;br /&gt;- Dois reais. - foi o que ela disse, enquanto me olhava de olhos arregalados, como se visse um fantasma.&lt;br /&gt;Paguei e tratei de sair logo dali. Afinal de contas, o comitê de boas vindas não foi agradável. O comportamento da mulher me aborreceu, pois a meu ver, uma terra santa deveria ter pessoas muito mais espirituosas. Talvez fosse por isso que o semblante do motorista e do cobrador era de alívio durante a partida. Quando coloquei o pé na rua, minhas costas doíam. Credo, que energia parada, pesada, porra, caralho, que coisa, fiquei pensando, tomara que isso tudo tenha sido apenas uma má impressão.&lt;br /&gt;Acendi um cigarro e procurei um taxista, a ventania aumentava e o céu ameaçava despencar. Não achei. Bem, numa cidade vazia como aquela, a presença de um chofer era algo realmente improvável. Incomodado e conformado, respirei fundo e decidi correr o risco de chegar encharcado. A primeira tragada embolou com a terra e notei um rastro de fumaça em marrom com vermelho brotando de minhas ventas. O meu crivo vagabundo parecia ainda mais forte, por causa da mistura do alcatrão e a nicotina com aquela poeira que a refega esparramava.&lt;br /&gt;Saquei o papel do bolso para conferir meu novo endereço. Andei algumas quadras e vi uma torre enorme, com mais de quarenta metros e uma grande igreja em frente de uma praça tão imensa quanto a tal da torre e a igreja. Um santuário gigante. Estranhei algo daquele tamanho em um lugar tão abandonado e pequeno, mesmo tendo a fama de terra santa.&lt;br /&gt;De repente, um susto. Uma voz que parecia vir do além seqüestrou minha atenção. Era tão distante e tão fria que por um minuto achei que estava delirando. O recado vinha embalado numa música instrumental e fúnebre: “Comunicamos o falecimento de Pedro das Quantas, seu corpo será velado na capela mortuária a partir das 19h. Oremos por nossas almas e por essa que encomendamos ao céu. Amém.” A música foi baixando de volume e tudo silenciou.&lt;br /&gt;Fiquei tão encafifado que me plantei pensando e admirando a torre gigante. Quando meu transe passou, olhei para a esquina e vi o número 666 no outro lado da rua, era ali, uma construção tão simpática quanto nas fotos que o corretor me enviou por e-mail. Sinal de que foi correto comigo. Estranhei que o portão estava aberto. Eu nem lembrava quando vi um portão sem cadeado na vida.&lt;br /&gt;Adentrei com o pé direito, estava limpa, a mobília chegou intacta e foi disposta exatamente como indiquei aos homens responsáveis pela mudança. Ufa, já me sentia quase contente. Conferi as torneiras e jorrou água. Tomei um copo e percebi que era pura como eu jamais havia experimentado. Adorei. Bebi mais dois copos gigantes. Fui para o chuveiro. A poeira grudou em mim de um jeito que não havia saída. Foi o banho mais longo de toda minha vida.&lt;br /&gt;Limpo, fui para a sala. Acendi um cigarro e abri as janelas. Entre uma tragada e outra, notei uma grande movimentação de carros. Pensei que fosse um bar do outro lado da rua. Tive a idéia de sacar meu litro de uísque da mochila, meu plano era encher a cara e depois sair para dar uma olhada no lugar e quem sabe descolar um corpo para me enroscar, já que a tempestade ficava só na ameaça.&lt;br /&gt;Coloquei um DVD do Pink Floyd. Que maravilha, finalmente um pouco de diversão, pensava enquanto ouvia e via as crianças destruindo as carteiras escolares para depois rumarem para aquela máquina gigante que transformava os pestinhas em carne moída. Quando o relógio bateu 21h estava mais louco que nunca e fui para a rua. Percebi que os carros não paravam de chegar e se amontoavam na esquina, opa, me dei bem, pensei.&lt;br /&gt;Assim que me aproximei notei que se tratava de um velório. Foi quando juntei uma coisa com a outra e deduzi que o lugar era o local anunciado pela tal voz misteriosa. Achei melhor voltar para casa. Entrei e fui direto para a cama, estava alto e desapontado, queria dormir para acordar pela manhã de humor e vigor renovados. Nem os sapatos eu tirei.&lt;br /&gt;Acordei perto das 9h, o sol adentrava pela fresta da janela e avisava que o tempo estava ótimo. Ainda sonolento, tive a impressão de ouvir uma música católica. Saí da cama azedo, com a cabeça doendo, escarrei no chão e blasfemei. Joguei a culpa pelo azedume no uísque da noite passada e no despertar nojento. A boca estava com um gosto horrível. Acendi um cigarro e preparei meu café. Abri as janelas e a música soou ainda mais alta. Olhei para os lados e avistei uma porção de gente caminhando para a igreja. Foi quando me dei conta de que a torre da basílica interagia o tempo todo com os moradores do lugarzinho.&lt;br /&gt;As pessoas que passavam pelo passeio me olhavam de um jeito estranho e não mostravam os dentes. Acho que meu visual chocava os caras. Era muito engraçado. De repente a música cessou, voltei para a cama e apaguei. Dormi até o final da tarde, quando despertei mais uma vez com o sistema de som da torre que avisava mais um recado: “Comunicamos que a missa em celebração da família será realizada amanhã, às 19h. Cordeiro de Deus, que tirai os pecados do mundo; dai-nos a paz. Amém.”&lt;br /&gt;Fiquei roxo de raiva. Será que todos aqui são católicos? Pensei. Passei trinta dias nessa rotina, morria um por semana e a torre avisava. Os recados eram infinitos, nada de proveitoso era comunicado, ou era um falecimento ou uma celebração da igreja. O padre não calava a boca, estava sempre cheio de recados repetidos. E para piorar a situação, não conseguia escrever meus textos e enviá-los para os jornais e revistas que tinha compromisso. Meu editor havia ligado várias vezes, precisava concluir meu original de uma vez. Fiquei dias sem dormir para tentar escrever, mas toda hora que me acalmava e a inspiração voltava, surgia um daqueles recados lamentáveis, que me deixavam nervoso e sem inspiração novamente. Era um ciclo vicioso.&lt;br /&gt;Pensei em matar o padre, sim por que era ele quem dava os recados incessantemente. No entanto, sabia que em poucos dias haveria um novo sacerdote na cidade e o problema voltaria, tinha de pensar em algo melhor, mas em quê? Até que veio uma idéia. Já sei! Preciso matar todos os católicos dessa cidade, desse jeito, esse serviço de alto-falante vai acabar pela falta de fiéis. Soltei uma gargalhada mórbida, tão gelada que cheguei ao ponto de me olhar no espelho e me impressionar com meu novo e estimulado semblante. Minhas feições eram insanas como nunca, mas o gosto de sangue que surgia em minha boca e os assassinatos que via eram divinais e provocavam uma reação muito boa em meu cérebro. Foi a primeira vez que o hediondo me gerou prazer, eu juro. Sinestesia mais que pura.&lt;br /&gt;Precisava agir sozinho, por que se conseguisse um comparsa, ele poderia abrir a boca, caso fosse interrogado pela polícia. Eu não podia correr esse risco. Pensei mais um pouco e solucionei o impasse. Acessei a rede e comprei um filhote de cão pela internet. Ele faria o trabalho sujo. Só tinha de criá-lo isolado e depois soltá-lo na cidade. Acertei tudo rapidamente. Quando chegou, o tranquei dentro de uma caixa de madeira totalmente fechada, a única abertura ficava entre a base inferior da porta e o assoalho, nada maior que 10 cm. Eu não o via crescer e ele não me via alimentando-o com carne vermelha. Cinco meses depois, percebi as rosnadas vindas de dentro da tal caixa. O animal estava forte e insano. Era hora de libertá-lo.&lt;br /&gt;Esperei a missa das 18h para soltar o cão. Quando percebi a movimentação em frente da igreja, fiquei ao lado da caixa e abri a porta. O danado saiu correndo exatamente como previ. Dava para ouvir os gritos na rua. Os dias seguiram cheios de ataques. Os recados que vinham da torre comunicavam a morte de pessoas estraçalhadas pelo animal. Aos poucos o caos tomou conta do lugar. O bicho era esperto e fugia para a mata depois de cada investida e transformava-se num caçador sanguinário, esperto e implacável. A população local se mobilizou, a prefeitura e a polícia, tudo em vão, o animal era uma máquina de matar.&lt;br /&gt;A partir daí os recados me davam um gosto cada vez melhor na boca, e as imagens eram ainda mais fenomenais, eu nem me importava de ser acordado pelo alto-falante da torre. A sinestesia me era mais apetitosa que nunca. Enquanto as mortes aconteciam, minha inspiração voltou a toda e minha carreira profissional estabilizou novamente, por que eu transformava os ataques do cão em contos incríveis. Tudo com base nas sensações que sentia, misturadas com os recados do padre e as manchetes veiculadas pelo jornaleco do lugar.&lt;br /&gt;Era uma pena ter de matar aquelas pessoas, mas o escritor dentro de mim não poderia morrer só por causa da fé católica. Em poucos dias, a população foi dizimada e o alto-falante finalmente perdeu a função. Daí para frente, decolei em meio ao perverso silêncio que se abateu sobre meus dias. A essa altura a sinestesia me era muito mais prazerosa que o sexo. Logo que enviei meu novo livro de contos, recebi uma posição.&lt;br /&gt;Era meu editor do outro lado da linha:&lt;br /&gt;- Alô.&lt;br /&gt;- Carlos, seu novo livro de contos é tão malvado quanto funesto. Já está em fase de diagramação e logo será impresso. Até mais, amigo.&lt;br /&gt;Desliguei e sorri macabramente. Foi o prazer mais impetuoso que senti. Naquele momento minha sinestesia era forte como a morte. De repente, ouvi um rosnar, era o amaldiçoado cão, que baixou as orelhas e veio até mim, deitou e lambeu meu coturno em sinal de devoção. A partir daí saí em odisséia pelo mundo, para promulgar minha literatura maldita. Seis meses depois estava gélido e maltrapilho, a pisar solos santos e carcomer carne católica, mas sempre, sempre ao lado de meu cão assassino. Um ministério arrebatador, sanguinário, perverso, prazeroso, infinitamente sinestésico e infiel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afobório escreve: &lt;a href="http://www.afoborio.blogspot.com/"&gt;http://www.afoborio.blogspot.com/&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://www.e-blogue.com/blogs"&gt;www.e-blogue.com/blogs&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://www.3ammagazine.com/brasil"&gt;www.3ammagazine.com/brasil&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://www.becodocrime.net/"&gt;http://www.becodocrime.net/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Contato com o autor: afoborio@gmail.com&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-4662546886036742292?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/4662546886036742292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/4662546886036742292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/08/infiel_14.html' title='Infiel.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-566147348017168311</id><published>2009-08-08T08:07:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:44:20.085-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Beto Canales'/><title type='text'>Arrependimento</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto" align="justify"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;É difícil lembrar com detalhes coisas que ocorreram tantos anos atrás, mas recordo de tudo. Estava com meu bodoque, feito de uma forquilha de pitangueira e borracha de câmera de caminhão, bem grossa, sem nenhum risco no cabo. Todos, sempre que matavam algum animal, faziam um traço com canivete na madeira crua. O meu estava liso. &lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto" align="justify"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;A mata era fechada e muito verde, principalmente na época da primavera. Era um lugar permitido, pois ficava perto de onde morávamos. Cheguei lá disposto a terminar com minha inferioridade. Haveria de usar o canivete muito afiado, que levava nas meias para qualquer eventualidade. Sabe-se lá, havia muitos inimigos, eu é que nunca encontrei nenhum - sorte deles.&lt;/span&gt;&lt;span lang="RU"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto" align="justify"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;Peguei no caminho uma pedra redonda, nem grande nem pequena, pesada o suficiente: a pedra ideal. Entrei pelas trilhas já conhecidas e fui até um lugar escondido, perto de um barranco de cerca de dois metros. Lá embaixo, corria um fio de água. Sentei e permaneci &lt;?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" /&gt;&lt;st1:personname productid="em silêncio. Armei" st="on"&gt;em silêncio. Armei&lt;/st1:personname&gt; o bodoque com a pedra e me aliei ao tempo. Em breve algum pássaro viria beber água. Não demorou mais que minutos e lá estava ele: pequeno e faceiro, amarelo vivo nas asas e azul muito escuro no peito. Chegou meio desconfiado, somente nos galhos altos, pulando rapidamente entre um e outro. Permaneci imóvel. Ele foi criando confiança até que cedeu à sede e parou perto de mim, muito perto. Ficou mexendo a cabeça nervosa - e com razão de estar - como se pressentisse algo. Cheguei a ver seus olhos cheio de vida. Calmamente aprontei minha arma. Estiquei a borracha junto ao rosto o máximo possível, alinhada com olho fechado, e larguei.&lt;/span&gt;&lt;span lang="RU"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto" align="justify"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="RU"  style="font-family:arial;"&gt;Agora, cinquenta anos depois, sei a razão desta lembrança estar tão viva. Hoje devo receber o resultado dos exames, da biopsia, para ser mais claro. Parece que tudo que fiz neste meio século não foi importante. Que o resultado, já está escrito com uma letra fria e pontilhada, depende do desenrolar da história do pássaro e não da minha. Então, se é assim, deixe-me terminá-la.&lt;/span&gt;&lt;span lang="RU"&gt;&lt;br style="mso-special-character: line-break"&gt;&lt;br style="mso-special-character: line-break"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto" align="justify"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="RU"  style="font-family:arial;"&gt;Larguei e ouvi o zunido assassino e rápido. A pedra dilacerou a cabeça do pequeno pássaro. Olhei-o caído no barro com certa curiosidade. Peguei meu canivete e, quando ia marcar o cabo do bodoque, desviei o olhar para ele novamente. Pulei para ficar ao seu lado. Senti-me estranho. Fiz um enterro com direito a cruz e tudo. Pus umas pedras protegendo o lugar e garanto que estão lá até hoje. Neste dia aprendi a chorar de uma forme diferente e não marquei a madeira. Nunca usei meu canivete.&lt;/span&gt;&lt;span lang="RU"&gt;&lt;br style="mso-special-character: line-break"&gt;&lt;br style="mso-special-character: line-break"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto" align="justify"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="RU"  style="font-family:arial;"&gt;O resultado deu positivo: maligno.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="RU"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br style="mso-special-character: line-break"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="RU"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Beto Canales escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://cinemaebobagens.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://cinemaebobagens.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.becodocrime.net/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.becodocrime.net/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.3ammagazine.com/brasil"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.3ammagazine.com/brasil&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://sexoecrimecialtda.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://sexoecrimecialtda.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.e-blogue.com/blogs/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.e-blogue.com/blogs/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Contato com o autor: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:3am.beto@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;3am.beto@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="RU"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-bottom-alt: auto" align="justify"&gt;&lt;br style="mso-special-character: line-break"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-566147348017168311?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/566147348017168311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/566147348017168311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/08/arrependimento.html' title='Arrependimento'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-8650143060892780717</id><published>2009-07-30T05:13:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:44:01.197-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jana Lauxen'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><title type='text'>O Ilustre e Imprescindível Investigador Alcebíades.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Chegou em casa satisfeito, carregando nas mãos o pesado troféu e embaixo do braço direito a caixinha azul, que guardava uma placa toda em ouro - homenagem da Prefeitura da cidade de São João do Porto ao seu mais distinto investigador.&lt;br /&gt;Alcebíades era seu nome, e nos últimos 22 anos ajudara a pequena comunidade de nove mil habitantes, ao sul de Itararaguá, a manter a moral e a ordem, prendendo criminosos hostis que insistiam em perturbar a paz daquele povo tão pacato e feliz.&lt;br /&gt;Primeiro foi aquele pobre infeliz, o Anastácio, homem trabalhador, assassinado a tijoladas pela amante jovenzinha, que estava grávida. Crime hediondo, um dos primeiros a arrancar o sono dos moradores, que até então só haviam visto violência e assassinatos pela televisão.&lt;br /&gt;Nessa época, Alcebíades era ainda um jovem policial que iniciava sua carreira de investigador. Mal assumiu o posto e já se viu obrigado a resolver tão complexo caso, veja só.&lt;br /&gt;E pouco mais de oito meses depois, outra vítima, outro crime aterrorizante: desta vez uma menininha, Carmelita, morta de jeito tão cruel pelo próprio pai!&lt;br /&gt;São João do Porto foi parar até no Jornal Nacional, e não fosse a presteza e a habilidade de Alcebíades, até hoje os assassinos estariam à solta, representando enorme perigo à população tão idônea.&lt;br /&gt;Seguido deste, outros crimes horríveis assolaram a cidadezinha nos anos seguintes: um morador de rua, queimado vivo por um viciado em drogas. Uma senhora já idosa, que todos os dias levava seu cachorro para passear na pracinha, acabou esquartejada junto de seu animal de estimação pela ex-empregada, que reivindicava mais dinheiro pelos serviços prestados. Uma estudante foi esfaqueada brutalmente pelo ex-namorado. Uma professora apanhou até a morte de um aluno, que dizia estar por ela apaixonado.&lt;br /&gt;Não se sabe o que teria sido da comunidade, caso não pudessem contar com a eficiência de Alcebíades que, com um faro impressionante, descobria os mais obscuros e intrincados detalhes, encontrando provas em minúcias que passariam despercebidas para qualquer outro investigador.&lt;br /&gt;Menos para ele.&lt;br /&gt;Alcebíades comprovou que crimes perfeitos não existiam.&lt;br /&gt;Não se ele estivesse no comando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligou a luz da sala e acomodou o troféu em cima da estante, junto de outras medalhas e condecorações que recebeu ao longo de seus vários anos de serviços prestados. A placa em ouro colocou sobre a mesa de centro, e sentou no sofá para admirar o reconhecimento de seu trabalho.&lt;br /&gt;Sorriu.&lt;br /&gt;Era um cidadão honorário, homem de bem, respeitado e adorado. Poderia até se lançar para prefeito, se quisesse. Venceria facilmente, todos o consideravam um herói.&lt;br /&gt;Um homem que prezava pela retidão e pela ordem.&lt;br /&gt;Não fora fácil.&lt;br /&gt;Chegara na cidadezinha com pouco mais de 29 anos, louco para trabalhar e mostrar sua habilidade para desvendar crimes, tal e qual via no cinema e nos seriados de televisão.&lt;br /&gt;Para isso se tornara investigador: queria encontrar os assassinos, os bandidos, os criminosos, e colocá-los atrás das grades. Queria fazer justiça, as pessoas precisavam de justiça.&lt;br /&gt;Precisavam ver os culpados punidos para continuarem com suas vidas seguras e felizes.&lt;br /&gt;E ele estava ali para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que São João do Porto não era exatamente a cidade que Alcebíades imaginava para firmar sua carreira brilhante de investigador policial. Tentou durante quase um ano transferência para uma cidade maior, mais violenta, mais emocionante, mais caótica.&lt;br /&gt;Não conseguiu.&lt;br /&gt;Só por isso, precisou cometer os crimes que iria, então, investigar.&lt;br /&gt;E desvendar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era um assassino, era um investigador, disso tinha certeza.&lt;br /&gt;Mas que culpa tinha ele se haviam restringido toda sua perícia e genialidade a uma cidadela que não precisava nem de uma coisa nem de outra, pois não havia crimes, muito menos criminosos?&lt;br /&gt;Até que foi relativamente fácil.&lt;br /&gt;Cidade pequena, gente sem ter o que fazer, sabem como é: todo mundo fala da vida de todo mundo.&lt;br /&gt;Com sua esperteza, logo encontrou quem poderia, potencialmente, ser seu criminoso.&lt;br /&gt;E também quem seria a pobre vítima da vez.&lt;br /&gt;Até por que, qualquer pessoa tem um motivo para matar e outro para morrer. Ele apenas uniu o útil ao agradável.&lt;br /&gt;Assim todo mundo ficava feliz: ele tinha crimes para investigar, e os criminosos sequer precisavam se dar ao trabalho de matar – ele próprio se encarregava disso.&lt;br /&gt;Isso sem falar na comunidade, que se sentia protegida graças a sua astúcia.&lt;br /&gt;Olhou outra vez para a placa de ouro, reluzente, nela gravada em letras garrafais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Ao nosso ilustre e imprescindível investigador Alcebíades Andrade,&lt;br /&gt;pela competência, honra e coragem,&lt;br /&gt;sempre em busca da proteção e da integridade&lt;br /&gt;de nossos cidadãos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriu.&lt;br /&gt;Era o ilustre e imprescindível investigador Alcebíades Andrade.&lt;br /&gt;Sim.&lt;br /&gt;Estava satisfeito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Jana Lauxen escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.janalauxen.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.janalauxen.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://e-blogue.com/blogs"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://e-blogue.com/blogs&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.3ammagazine.com/brasil"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.3ammagazine.com/brasil&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://cafeespacial.wordpress.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://cafeespacial.wordpress.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.jornalvaia.com.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.jornalvaia.com.br/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.becodocrime.net/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.becodocrime.net/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Contato com a autora: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:3am.jana@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;3am.jana@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-8650143060892780717?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/8650143060892780717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/8650143060892780717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/07/o-ilustre-e-imprescindivel-investigador.html' title='O Ilustre e Imprescindível Investigador Alcebíades.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-3152293206730879807</id><published>2009-07-26T11:28:00.000-07:00</published><updated>2009-07-26T11:32:40.412-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Denise Ravizzoni'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><title type='text'>O gato de Alice.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O riso nervoso, histérico, doente, ecoava no ar do lugar. Por mais que eu olhasse em volta, por mais que procurasse, não saberia dizer de onde vinha aquele som, onde estava oculta a fonte daquela sinfonia insana. Procurava ignorar aquilo. Tinha muito trabalho a fazer e não havia mesmo para onde ir enquanto não acabasse a tarefa. O porão inteiro já estava limpo e arrumado, já havia cavado o suficiente, o entulho de piso quebrado e da terra removida já haviam sumido. Agora faltava a parte mais delicada, o acabamento.&lt;br /&gt;Uma obra simples, sem nada de especial ou técnico. Eu daria conta, certamente. Precisei só de um pouco de planejamento e alguns dias de trabalho braçal. Nada que fosse me matar. Estava tudo preparado e eu podia terminar com chave de ouro. Se não fosse a maldita gargalhada, seria tudo perfeito.&lt;br /&gt;Por um momento, achei que meu cérebro estivesse me enganando, pregando alguma peça de péssimo gosto. Mas não. Isso não seria possível. Simplesmente não seria. Fiquei imaginando um jeito qualquer de inserir aquele som no ambiente, tão pouco adequado para um riso daquela natureza. Acabei por pensar que poderia ser uma espécie de gato da estória do Carroll, a estória da menina Alice, só que num lugar bem menos maravilhoso. O riso do gato de Alice. O riso insano.&lt;br /&gt;Escolhi ignorar o som. Já tinha uma fonte, uma procedência, mesmo que pouco natural. Ficaria mais fácil fazer de conta que não existia, transformar aquilo num ruído incidental. Continuei misturando a pasta cinza com muita, muita calma. Queria um resultado absolutamente perfeito. A nova luz instalada no porão deixava ver tudo com grande clareza. Cada detalhe precisava estar fantástico, cada passo. Por isso tanto cuidado em misturar a massa, eliminar as eventuais bolhas de ar, deixar a aparência totalmente lisa, uniforme.&lt;br /&gt;Quando estava absorto em minha tarefa, percebo que o riso não havia sumido. Mesmo com a música alta, mesmo com o barulho metálico produzido pelas ferramentas, o riso estava lá. Não havia como. Teria que trabalhar com a estranha risada ao fundo. E, pensando bem, seria mais um toque de requinte. O riso insano se transformou num ótimo contraponto para os olhos arregalados da mulher que agora estava no interior do buraco cavado com tanto cuidado. O azul dos olhos e o cinza da fita que cobria a boca, e o cinza do cimento que eu derramava sobre o corpo devagar, e os sons de pânico mudo que ela tentava emitir sem poder. Foi então que percebi que o riso... horror... o riso partia de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Denise Ravizzoni escreve: &lt;a href="http://sexoecrimecialtda.blogspot.com/"&gt;http://sexoecrimecialtda.blogspot.com/&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://e-blogue.com/blogs"&gt;http://e-blogue.com/blogs&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://www.3ammagazine.com/brasil"&gt;http://www.3ammagazine.com/brasil&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://www.becodocrime.net/"&gt;http://www.becodocrime.net/&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://deniseravizzoni.blogspot.com/"&gt;http://deniseravizzoni.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Contato com a autora: &lt;a href="mailto:denise_ravi@hotmail.com"&gt;denise_ravi@hotmail.com&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-3152293206730879807?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/3152293206730879807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/3152293206730879807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/07/o-gato-de-alice.html' title='O gato de Alice.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-5651086290845660197</id><published>2009-07-21T09:19:00.001-07:00</published><updated>2009-09-28T07:42:06.963-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cisticerco'/><title type='text'>Num dia de domingo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Foi um tiro. Rápido. Voraz e certeiro.&lt;br /&gt;A bala entrou pelo lado direito da mandíbula e parou na base da coluna vertebral.&lt;br /&gt;Um sorriso meigo. Uma vida inteira pela frente. De repente a escuridão. O silêncio. Enquanto o corpo da garota de cerca de 15 anos caia no chão do Shopping Center, ao seu redor podia-se ver o desespero e o alvoroço. Gritos. Correria. O pânico.&lt;br /&gt;No momento em que o corpo da garota batia violentamente no piso frio do Shopping, uma multidão fugia desesperada, sem saber para onde ir. O básico extinto da sobrevivência humana era colocado à prova.&lt;br /&gt;Outro tiro. Veloz. Furioso. Acerta as costas de uma moça loira de cabelos longos que tentava, em vão, proteger uma criança em meio a todo o desespero daquele momento.&lt;br /&gt;A pobre moça cai de joelhos. Uma criança grita. Uma bela mulher cai morta. Podia-se ver nos olhos da criança o pavor. Seus olhos estavam paralisados. Em suas pequenas mãos, manchas quentes do sangue da mulher que a protegia a poucos segundos atrás, e que agora estava morta ao seu lado no chão.&lt;br /&gt;Outro tiro. Certeiro como a morte. Penetra a testa da pequena criança paralisada de medo. Mais gritos preenchem os andares do Shopping. O cheiro da loucura preenche todo o ambiente. Caos. Loucura. Adrenalina. E uma criança cai morta sobre o corpo da mulher que há poucos segundos havia sido baleada.&lt;br /&gt;Era uma tarde bonita de domingo. Um dia gostoso para se passear, se divertir. Tinha tudo para ser um típico dia de fim de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não devia ter feito isso.&lt;br /&gt;- Cale-se! Já lhe disse! Cale a boca! Se fosse com você eu queria ver se estaria me dando lição de moral. Você não sabe o que passei. Você não entende o que eu sinto. Fácil para você que está de fora. Fácil para você falar e criticar.&lt;br /&gt;- Você podia ter tentado conversar. Resolver isso de outra forma.&lt;br /&gt;- Há há. Quem é você para me recriminar? O que você sabe da vida? Vive nesse seu mundinho protegido e cheio de alegria. Eu não. Eu vivo a realidade cruel da vida. Conheço a dor e o sofrimento. Conheço a perda, conheço a desgraça. Conheço o fundo do poço. E você? Há há! Ora, você não sabe o que está dizendo. Não sabe do que está falando.&lt;br /&gt;- Eles vão te matar. E eu não posso mais te ajudar. Eu bem que tentei. Eu lhe disse que não deveria fazer o que fez. Agora não posso mais te ajudar.&lt;br /&gt;- Eu não quero sua ajuda! Nunca quis! Quero que me deixe em paz. Vá embora. Pare de amolar. Me deixe.&lt;br /&gt;- Paz? Acha que agora terá paz?&lt;br /&gt;- Elas mereceram. Colheram o que plantaram. Aquela desgraçada me traiu. Durante todos esses anos eu fui enganado. Sustentei aquela vadia e as meninas durante todos esse tempo e para quê? Para aquela vadia ter um caso com outro desgraçado? E ainda ter a coragem de dizer que as meninas não eram minhas filhas? Vadia ordinária. Merecia sofre ainda mais.&lt;br /&gt;- E que culpa as crianças tinham de tudo isso?&lt;br /&gt;- Ora. Se eram as crias de uma vagabunda com um desgraçado não mereciam viver...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polícia chegou rápido. Em questão de minutos dezenas de policiais cobriam o andar onde o atirador estava e também os andares superiores do Shopping.&lt;br /&gt;Acuado e sozinho num canto perto dos elevadores, o atirador e seu rifle gritava e falava, como se mais alguém estivesse com ele.&lt;br /&gt;O delegado estava parado perto dos três corpos assassinados. Uma garota de 15 anos, uma outra de 7 anos e a uma mãe. Uma bela mulher. Uma mãe cuidadosa e carinhosa, cujo único erro na vida foi ter se envolvido com um maníaco desequilibrado. Três vidas perdidas por conta de ciúmes, loucura e insanidade.&lt;br /&gt;O delegado olhou para o atirador. De onde estava, ambos podiam se ver claramente. Nos olhos de ambos apenas ódio. Cada um com seus motivos próprios. Cada um com seu demônio interno. O atirador riu. Um sorriso cínico. Um sorriso provocador.&lt;br /&gt;O Shopping todo havia sido evacuado seguindo as ordens do Delegado. Lá dentro apenas ele, seus homens e um desequilibrado doente com um rifle nas mãos.&lt;br /&gt;Com apenas uma ordem, cerca de 18 policiais descarregaram suas armas contra o homem encurralado no canto da parede. Pelo menos 50 tiros crivaram de balas o corpo daquele homem. Uma poça de sangue se formava enquanto o Delegado se aproximava do corpo baleado. Em silêncio olhava para o homem que acabara de destruir três vidas e que deixava para trás um pai e um marido, fadado ao sofrimento pelo resto da vida.&lt;br /&gt;- Seu doente. Eu já deveria ter acabado com você há muito tempo. Nunca devia ter deixado que chegasse nesse ponto.&lt;br /&gt;Mais um tiro. Mais uma bala. Dessa vez na cabeça de um assassino já morto. Desta vez a bala sai da arma do Delegado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cisticerco escreve: Cisticerco escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://cisticerco.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://cisticerco.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Contato com o Autor: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.skypizza@hotmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;www.skypizza@hotmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-5651086290845660197?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/5651086290845660197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/5651086290845660197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/07/num-dia-de-domingo.html' title='Num dia de domingo'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-7782304422193281339</id><published>2009-07-16T06:51:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:41:43.192-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leandro Fonseca'/><title type='text'>Pietra.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Pietra desequilibrou-se, despencando do chão. Com uma pancada, seu nariz batera no chão de taco, fazendo assim uma poça de sangue. A mulher levantou-se atordoada, sentindo uma horrível dor no seu nariz, supostamente fraturado. De joelhos no chão, virou-se calmamente tentando segurar-se na parede. De olhos semicerrados, avistou duas pernas atrás de suas costas.&lt;br /&gt;Assustada, Pietra sentiu seu corpo sendo puxado por uma mão forte, e seus cabelos serem apertados por uma outra mão. Mesmo gritando, não conseguia soltar-se. As mãos puxavam seu corpo em direção a escada, que parecia embaralhar-se em sua vista. Virando a cabeça, não conseguiu ver o rosto do individuo que a arrastava, mas avistou suas pernas vestidas por uma calça jeans.&lt;br /&gt;Pietra rolou da escada quando as mãos soltaram seu corpo trêmulo. Batendo a cabeça no penúltimo degrau, sentiu o sangue morno escorrer pelo seu semblante cálido. Aterrorizada, levantou o pescoço, tentando correr e escapar para fora dali. Os passos vieram rapidamente pela escada, e foi quando a mulher sentira seu corpo ser puxado novamente, mas dessa vez fora pelas pernas. Enquanto gritava, chacoalhava seu corpo para tentar se libertar ia sentindo seu corpo sendo arrastado pelo carpete da sala, e as luzes brancas da cozinha iam iluminando sua face de puro horror.&lt;br /&gt;Fechou os olhos por um instante. Foi nesse momento no qual seu corpo parou de ser arrastado. Pietra virou os olhos, avistando os pés da sua mesa; já estava na cozinha. Abrindo a boca por um segundo, inspirou todo ar que pôde, ouvindo apenas o ruído de sua respiração arquejante. Estava imóvel, sem mover um músculo sequer. Podia sentir até o suor escorrendo pelo seu rosto.&lt;br /&gt;Foi quando um frio terrível percorreu por toda sua espinha. O ruído metálico da lâmina de uma faca ecoou pelos seus ouvidos. Abriu a boca, mas não conseguia gritar. Foi então que levantou o corpo, ficando de quatro no chão e logo após, cambaleante, correu até a porta. Apertando a maçaneta, gemeu de dor ao perceber que estava trancada a porta. Não havia escapatórias. Virando-se lentamente, fechou os olhos e começou a chorar. Lágrimas misturadas a gemidos de dor.&lt;br /&gt;Abrindo os olhos, sentiu a vista embaralhar com as lágrimas. Abriu a boca para tentar gritar novamente, mas algo, com uma veloz agilidade, tapou-lhe a boca e o nariz com um pano. Pietra sentiu um gosto ruim na saliva, mas antes que pudesse cuspir, estava presa a uma forte sonolência. Seus braços e pernas iam ficando cada vez mais moles, enquanto as pontas dos dedos das mãos e dos pés iam formigando cada vez mais.&lt;br /&gt;A última coisa que pôde ver, fora o contorno do estranho, parado ao lado do seu corpo caído, junto com uma faca empunhada em mãos. Após isso, apenas escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leandro escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://caixaamarela.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://caixaamarela.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://tropeceiemumaideia.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://tropeceiemumaideia.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Contato com o autor: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:dii_lugh@yahoo.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;dii_lugh@yahoo.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-7782304422193281339?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/7782304422193281339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/7782304422193281339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/07/pietra-pietra-desequilibrou-se.html' title='Pietra.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-6789006291120833519</id><published>2009-07-11T06:57:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:41:23.232-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Plínio Gomes'/><title type='text'>O jantar.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A chuva fina caía e fazia um barulho irritante no zinco da cobertura da garagem. Ela decidiu segui-lo, mesmo não estando com um guarda-chuva. Ele não foi muito longe. Entrou no botequim. Ela ficou a sua espreita, sabia que não demoraria. Ele saiu, olhou para os lados, acendeu um cigarro. Ela pôde ouvir o barulho do dedo correndo sobre a pedra do isqueiro. Sentiu seu coração acelerar, mas ele não a viu.&lt;br /&gt;Ele chegou à porta de um sobrado. Ela riscou o fósforo e levou até o cigarro preso aos dentes. Deu uma longa tragada, segurou e depois soltou uma espessa nuvem de fumaça. Sua cabeça começava a doer.&lt;br /&gt;Ela apagou o cigarro antes de entrar. Pensou em acender outro, mas não quis perder tempo. A luz do corredor era fraca, dava um ar sombrio ao lugar. Ela percebeu a voz grossa do marido. Ouviu uma voz feminina. O sangue lhe correu a cabeça que passou a doer mais. A porta ainda estava entreaberta. Ela espiou. Ele estava cheirando o pescoço da vadia. Depois lhe sentou a mão na bunda; a mulher deu um gritinho de dor e prazer – “Uiuiui”, voltando-se para ele, beijando-lhe a boca.&lt;br /&gt;Não precisava ver e ouvir mais nada. Voltou para casa. Entrou num vulto só. O menino estava fazendo a tarefa da escola. Ela acendeu um cigarro. Passou a mão por entre os cabelos da criança.&lt;br /&gt;O frango que assava no forno estava cheirando. Ela chamou o menino para a cozinha. Pôs o avental, ligou a serrinha elétrica que o safado do marido lhe dera no natal. O garoto deu um grito pavoroso: “Ahh! Ahhh! Tá doendo Nina.” Mas ela não se abalou. Pela dor, o menino deu um último grito: Ahhh! (E caiu no chão desmaiado). Ela sorria, com o cigarro preso no canto da boca.&lt;br /&gt;O traidor chegou. Perguntou o que ela fez para o jantar. Em silêncio ela serviu-lhe o prato. Sentou a sua frente com um copo de conhaque e um cigarro nos dedos. Quando ele acabou de comer, ela perguntou:&lt;br /&gt;- Você conseguiria sentir a diferença entre carne de frango e humana?&lt;br /&gt;- Claro que sim! – Ele afirmou.&lt;br /&gt;- Eu acho que você não conseguiria. – Dando um sorriso de canto de boca.&lt;br /&gt;- O Valtinho não vai jantar? – Ele indagou mudando de assunto.&lt;br /&gt;Ela foi até a cozinha. Voltou com um revolver na mão direita e segurando a cabeça do menino pelos cabelos com a esquerda e a jogou em cima da mesa. Disparou três tiros certeiros no marido. Chegou bem próximo dele e disse: você não distingue nem carne de frango, nem de galinha, nem a carne de seu filho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Plínio Gomes escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://zingador.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://zingador.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pliniogomes.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://pliniogomes.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://blogcabecascortadas.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://blogcabecascortadas.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;a href="http://universoderetalhos.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://universoderetalhos.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Contato com o autor: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:pliniogomess@hotmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;pliniogomess@hotmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-6789006291120833519?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/6789006291120833519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/6789006291120833519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/07/o-jantar.html' title='O jantar.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-2933622155786171038</id><published>2009-07-06T06:37:00.001-07:00</published><updated>2009-09-28T07:41:05.474-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Afobório'/><title type='text'>Balaclava!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sou como um cão treinado, que andava sozinho pela mata. Fiquei com neurose por causa disso, de tanto matar e não ter alguém do meu lado para abraçar. Viver na mata é duro. Passei doze anos sem voltar. Eu tinha uma barraca, um fuzil e muitas balas trazidas por um helicóptero. Ninguém conhece meu rosto, nem mesmo os comandantes.&lt;br /&gt;É como se diz na corporação: “em boca fechada não entra mosca nem bala". Ninguém conta o que não vê. Meu trabalho era destruir laboratórios para o refinamento de cocaína e craque. Era um atirador de elite. Alguém que se fosse pego, morreria. Eu nem existo, não tenho rosto, RG, muito menos uma tropa na minha retaguarda, a solidão é minha eterna vida.&lt;br /&gt;Minha função era dar um tiro. Ora matava um homem escolhido pelo comando, ora gerava uma explosão, tudo num tiro só. Normalmente a uma distância superior a um quilômetro e meio. Essa era a minha garantia. Sobre as minhas costas, havia uma camuflagem espessa como uma moita, que pesava uns doze quilos, mais uma mochila com mais uns trinta, dependia da quantidade de ração e munição comigo.&lt;br /&gt;Foi o governo quem me ensinou a matar. Dizem que o maior troféu para um soldado do tráfico é o indicador de um atirador. Normalmente somos canhotos, para que eles não prestem atenção na gente. Há uma cultura de que os canhotos são ruins, lembra do tempo da escola? Sua professora não te obrigou a escrever com a mão direita?&lt;br /&gt;Tudo isso é precaução, para que não cortem o indicador certo, caso façam a besteira de capturar um atirador. Isso impede que destruam o nosso chamado: “toque da morte”. Enquanto me locomovia pela selva, eu também sentia pena. Via a miséria e de certa forma, entendia aqueles homens abnegados.&lt;br /&gt;Existem programas em prol dos homens da selva, mas isso é algo cultural, e o tráfico paga por dia, e bastante. Mas isso é uma pena, uma encruzilhada que me mostrava que a perfeição não existe, assim como não há o bem e o mal. É tudo uma questão de posição. Frente a frente, somos iguais, sabia? Existem mulheres e filhos dos dois lados, sorte e desgraça.&lt;br /&gt;Matei mais de quinhentos homens, se somar os tiros, as explosões e as armadilhas que criava na mata. Sim, eu nem entrava em combate, muitas vezes era só cavar um buraco de um metro e meio, cravar uma estaca no centro dele e depois cobrir com uma armação de gravetos disfarçada por folhas secas. É muito funcional, em se tratando de objetivo.&lt;br /&gt;Depois de todo esse tempo, eu não tinha mais senso de que lado estava, e a única coisa que reconhecia de verdade era a morte. Quando fiquei doente, perdi o controle. A esquizofrenia é a única medalha que me restou, e agora eles me puseram aqui, por causa das mortes que causei fora da selva. Primeiro eles foderam a minha mente, e depois me cobraram sanidade, como não tinha, vim para cá, para o mesmo lado daqueles que matei quando esses tiros começaram. E hoje, continuo esquecido, só que fora da selva, dentro de um quadrado de três metros por dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afobório escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.afoborio.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.afoborio.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.e-blogue.com/blogs"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;www.e-blogue.com/blogs&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.3ammagazine.com/brasil"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;www.3ammagazine.com/brasil&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.becodocrime.net/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.becodocrime.net/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Contato com o autor: afoborio@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-2933622155786171038?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/2933622155786171038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/2933622155786171038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/07/balaclava.html' title='Balaclava!'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-4857369687129048389</id><published>2009-07-01T06:45:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:40:39.867-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Beto Canales'/><title type='text'>Senectude.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Dias estranhos, estes últimos, dias gigantes. Garanto que o guardinha vai dizer baixinho: novamente a ratazana de museu. Mas pouco me importo, enquanto o quadro estiver aqui e os problemas lá em casa, vai ser assim. Melhor nem lembrar os bons tempos. Havia sexo, admiração e até amor. Acho que era um sentimento verdadeiro, pelo menos parecia. Em uma noite quente, lembro bem, ele chegou pouco antes do normal e ficou à espreita perto da porta. O susto foi tão grande que todos meus livros e polígrafos ficaram espalhados pelo gramado. Nos amamos ali mesmo, correndo o risco de sermos vistos. Isso nos excitava ainda mais. Era selvagem, violento até, mas carinhoso. Uma combinação pouco provável, mas verdadeira, além de não fazer parte de meus delírios. Nossa vida razoável e com amor sempre seguiu sem surpresas, nem boas, nem más. Nem filhos, nem filhas. Nem amigos, nem amigas. O que realmente aconteceu não foi nada abrupto, foi suave como uma brisa: os anos, a velhice. Nem dá para dizer que não fomos avisados. Fomos sim. A cada fase uma pequena mudança. Um dia, uma semana, um ano, uma década! Parece que o guardinha até sorriu. Esta escadaria me atrapalha. Tenho que tomar cuidado. Sem bengalas - meu lema - sem senzalas. Está lá meu banco e... meu quadro. Lindo, maravilhoso. Tomara que hoje não venha nenhum colégio. O índio sobre a árvore, com aquele cabelo, me intriga. Parece um moicano ou coisa do gênero. Como essa obra me acalma. Poderia passar - e na verdade passo - o dia aqui. Antes meus propósitos eram outros. A primeira mudança acho que senti pelo nariz. Ele ficou com um cheiro forte. Suas roupas tinham um suor permanente e indesejável. Eu suportava, mas aquilo me causava ânsia. Ele chegava e por trás do perfume caro eu só sentia o fedor da velhice, e então recuava. Nunca neguei afeto, um beijo ou uma masturbação sequer, mas o mesmo que antes fazia com prazer, em certo momento com indiferença, no final - que ainda não terminou - com ânsia. Duas ou três vezes corri para o banheiro para cuspir esperma e vomitar dignidade. Ainda bem que tudo foi rareando, como os olhares, inclusive. No princípio, sobre uma colcha de crochê remendada e colorida, ficávamos horas apenas nos encarando, sem sorrir, sem falar, sem pensar. Nossas imagens nos alimentavam e se sustentavam. Éramos bonitos, não como o quadro, mas normais e saudáveis. O guardinha passou duas vezes: hora de ir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Como demorou esta noite. O porteiro sorriu novamente. Pode nem ser uma pessoa ruim afinal, nem todas são, eu acho. Estas escadas estão com os degraus cada vez maiores. Enfim, meu banco, meu quadro. Ele é lindo. Aqueles dois, com armaduras, bem ao centro, lembram das que não tive. Que associação medíocre, mas verdadeira. Eu sempre estive à mercê, sempre estive fragilizada. Ao passado: depois de nos olharmos, nem sempre havia sexo. Às vezes, começávamos a fazer nossas coisas, estudar, cozinhar, sei lá, sem trocar nenhuma palavra. Era como se tudo fosse planejado sem plano algum. Estranho que esses anos parecem ter durado meses somente, e os últimos dias, anos. Pois desse silêncio até meu vômito foi uma passagem somente, e da primeira ânsia até hoje, nenhuma, tão rápido foi. Sou uma velha triste e só, apesar de ter em casa um decrépito que tenta me prender todo dia. Minha sorte é que suas forças andam menores que as minhas. Ele é ruim, eu sou pior. Antes que que ele aja, eu faço: quando saio, passo a chave e deixo o coisa ruim trancado no quarto até voltar. Fiz bem em tirar o telefone e avisar aos poucos vizinhos que ele dormia o dia inteiro. Podem pensar que eu sou má, sabe como são as pessoas. Estranho é que não aconteceu nada conosco, nada que marcasse. Nenhuma traição, nenhum grande desamor, nada que fosse realmente importante. Somente aqueles detalhes, mostrando que os anos estavam chegando e fazendo o que precisam fazer: nos envelhecer. Sempre pensei que o cheiro fosse o princípio de tudo, mas não foi. Nada estranho foi o começo. Na verdade, o começo foi mesmo o amor. Ele é assim mesmo, resiste somente aos bons tempos. Depois, ele não some, transforma-se em outra coisa, esta mesma coisa que me fazia vomitar e hoje me leva a lamentar. Coitado. Tenho pena dele, lá, trancado no quarto. À noite ele fica no escritório, esperando sei lá o quê. Talvez a morte. Mas nada vem pra ele, nem mesmo ela. Duas vezes o guardinha, novamente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ontem o moço da tarde avisou que a exposição estava no fim, mas, felizmente lá estão meu banco e meu quadro. A luminosidade dele prova que existe algo por trás da cruz. Não pode ter sido feito por uma mão humana algo tão perfeito. A vida anda estranha: eu o dia no museu, ele no quarto. À noite eu no mesmo quarto, ele no escritório. Talvez por isso nenhum de nós ainda não tenha morrido, eu acho. E faz pouco que esta exposição está na cidade, é que estamos na época dos dias-anos, por isso a gravidade disso tudo, justo agora. Não vou ficar pensando nas coisas ruins, aquelas que os anos nos trouxeram, nem das coisas boas, a que esses mesmos anos levaram, vou ficar como fazia com ele no começo, somente olhando e admirando, só que agora o quadro, este belíssimo quadro. Nada disso: é maluquice, e o louco é ele, afinal. Sou uma mulher vivida mas íntegra, não sou senil, sou uma boa pessoa, como o guardinha sorridente, como o padeiro que não conheço, como o que não fui, como um jovem, ou um velho antes dos anos, o que seria perfeito. O mal-cheiroso no quarto, com a carne putrefando, e eu aqui, uma boa pessoa, admirando uma verdadeira obra de arte. Somos muito diferentes. Agora eu que estou à espreita, somente esperando que o mau cheiro cesse, e vou esperar aqui, sem me mexer, sem fantasiar, apenas olhando o quadro. Duas vezes, já...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ontem ele falou novamente. Este guardinha da manhã é bonzinho, o da tarde não. Meu lanche foi proibido. Não posso mais comer no museu. Não vou mais almoçar, então. Lá está meu banco, sem meu quadro. Somente a luz na parede vazia, frente ao banco vazio. A escada me cansou, deixa eu sentar. Não sei por que fizeram isso, mas ainda lembro dos nativos nus, cheio de crianças, sentadas e deitadas pelo chão, como animais no cio. Estou sentindo o gosto dos anos em minha boca. Parece que meu vômito ainda está em minhas bochechas. Duas vezes, já? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não me sorriram ontem. Ele não é mesmo bonzinho. Este da manhã é, mas hoje também não sorriu. Parece que mudaram de andar. Sei que meu quadro não está mais lá e... Meu deus, nem meu banco. Levaram meu banco. O que faço? Vou embora deste lugar horroroso. Gente má, gente ruim. Minha casa é ao lado, muito perto. Vou pra lá e resolver o que fazer. Estranho este portão de ferro, devo ter tocado nele milhares de vezes e ele nunca me pareceu tão gelado. A fechadura da porta sempre foi larga, com essa chave antiga e pesada. Meu quarto está aberto e vazio. Ele está no escritório? Velho mal-cheiroso e fujão. Eu preciso chorar. Preciso desesperadamente. Mas que inferno, não consigo! Só pode ter sido os anos que levaram também minhas lágrimas. Não há ninguém aqui, como o quadro não está no museu. Como o banco. Como eu que também não estou lá. Esta réplica da obra A Primeira Missa no Brasil, igual ao da exposição, na parede da sala, me conforta. Mas, então, qual a razão de eu ter ido ao museu nestes dias gigantes? Não sou louca e sei a resposta: é que lá meu velho certamente não estaria. Nem ele nem o cheiro ruim. Aqui não sei. Afinal, ele nunca me avisou que morreu.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Beto Canales escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://cinemaebobagens.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://cinemaebobagens.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.becodocrime.net/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.becodocrime.net/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.3ammagazine.com/brasil"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.3ammagazine.com/brasil&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://sexoecrimecialtda.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://sexoecrimecialtda.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.e-blogue.com/blogs/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.e-blogue.com/blogs/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Contato com o autor: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:3am.beto@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;3am.beto@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-4857369687129048389?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/4857369687129048389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/4857369687129048389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/07/senectude.html' title='Senectude.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-7031662905294675661</id><published>2009-06-29T05:28:00.001-07:00</published><updated>2009-09-28T07:40:16.625-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jana Lauxen'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><title type='text'>Ela e Ele.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A maldita era branca e o seu apelido era Branco.&lt;br /&gt;Branco por causa dela, a branca.&lt;br /&gt;Cocaína era uma merda.&lt;br /&gt;Mas ele gostava dela, e gostava tanto, que ganhou o apelido: Branco.&lt;br /&gt;E agora, tanto tempo depois, outra vez ela.&lt;br /&gt;A maldita.&lt;br /&gt;Ali.&lt;br /&gt;Tentou disfarçar, mas não conseguia deixar de encará-la.&lt;br /&gt;Era insuportável vê-la e não sentir tudo de novo.&lt;br /&gt;Era sempre tão sedutora e gentil, sempre tão simpática e linda.&lt;br /&gt;Como aquela loira que estava paquerando quando a enxergou ali, perto do sofá.&lt;br /&gt;Se precisasse escolher entre a loira simpática e linda e ela, escolheria ela, sem pestanejar.&lt;br /&gt;Trocaria todas as mulheres do mundo por ela.&lt;br /&gt;Ah cocaína, sua safada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querendo se distrair, bebericou um pouco, sabendo que bebericar era o trampolim que precisava para mandar seus 7 benditos meses abstêmios para a puta que pariu.&lt;br /&gt;Olhou para os lados e tentou, desesperadamente, encontrar alguma coisa que lhe prendesse a atenção, e tirasse seus olhos, seus pensamentos e seu nariz - que já começava a escorrer - dela.&lt;br /&gt;Nada, não havia nada.&lt;br /&gt;Não podia cair outra vez na sua lábia.&lt;br /&gt;Lembrava bem, não tinha como esquecer: eram noites divertidíssimas ao seu lado, e Branco se sentia o maior e o melhor, entre todos.&lt;br /&gt;Ela o fazia sentir-se assim, superpoderoso.&lt;br /&gt;E por isso ele a queria, por isso a desejava com tanta angústia.&lt;br /&gt;Só que, de repente, ela sumia.&lt;br /&gt;Desaparecia e o deixava completamente sozinho, passando mal.&lt;br /&gt;Levava seu dinheiro, e não foram poucas às vezes em que levou também sua dignidade.&lt;br /&gt;Então olhava pela janela do seu quarto, vendo o sol pálido da manhã entrar como um intruso, e ele ali: sem cigarros, sem sono, sem noção, pensando nela, nela, nela.&lt;br /&gt;Era horrível.&lt;br /&gt;Nessas horas, jurava:&lt;br /&gt;- Nunca mais, essa pistoleira de araque!&lt;br /&gt;Ela que não venha para cima de mim, pois a mandarei para o inferno, lugar de onde nunca deveria ter saído.&lt;br /&gt;Que nada!&lt;br /&gt;Bastava ela aparecer, outra vez sedutora e gentil, e ele ia.&lt;br /&gt;Ia com ela.&lt;br /&gt;Ia sabendo que voltaria sozinho, de qualquer maneira.&lt;br /&gt;Então inventava desculpas para perdoá-la:&lt;br /&gt;- Estou triste, tenho que esquecer.&lt;br /&gt;- Estou feliz, tenho que comemorar.&lt;br /&gt;E mentia, mentia muito, mentia o tempo todo.&lt;br /&gt;Por causa dela, e da falta que ela o fazia, se tornou um sujeito agressivo e mal humorado.&lt;br /&gt;Quando não estava com ela, não queria estar com mais ninguém.&lt;br /&gt;Porque ninguém era como ela.&lt;br /&gt;Maldita cocaína.&lt;br /&gt;Um dia deu um basta!&lt;br /&gt;Trancou-se no quarto e avisou a mãe:&lt;br /&gt;- Passe a comida por debaixo da porta e não me deixe sair sob nenhuma hipótese.&lt;br /&gt;A mãe acatou, sabia da paixão do filho pela danada.&lt;br /&gt;E lá Branco ficou, tentando deixar de ser o Branco para voltar a ser o Marcelo.&lt;br /&gt;Era Marcelo seu nome de batismo?&lt;br /&gt;Quase nem lembrava mais.&lt;br /&gt;Passaram 4 meses.&lt;br /&gt;4 meses no mesmo quarto, Branco versus Marcelo.&lt;br /&gt;Marcelo ganhou, pelo menos aparentemente.&lt;br /&gt;Saiu vitorioso, e chorou quando enxergou a rua pela primeira vez, depois de todos aqueles anos de devoção total a ela.&lt;br /&gt;Anos em que não viu nada além dela.&lt;br /&gt;Pensou que estava curado.&lt;br /&gt;Maldita cocaína.&lt;br /&gt;Agora de novo, ela ali, mais uma vez.&lt;br /&gt;O encarando, o seduzindo, o chamando:&lt;br /&gt;- Branco.&lt;br /&gt;- Branco.&lt;br /&gt;- Branco.&lt;br /&gt;- Meu nome não é Branco!&lt;br /&gt;É Marcelo.&lt;br /&gt;Era Marcelo?&lt;br /&gt;Sim, era, e disso ele não podia esquecer.&lt;br /&gt;Tentou rememorar, com ansiedade, tudo o que ela lhe fez passar.&lt;br /&gt;Não a perdoe, não a perdoe, não a perdoe.&lt;br /&gt;Ela não merece uma segunda chance.&lt;br /&gt;Ela mente, é uma desvairada.&lt;br /&gt;De tudo isso tentava se convencer, e Branco, renascido das cinzas, lutava mais uma vez com Marcelo.&lt;br /&gt;Acontece que Branco era desleal.&lt;br /&gt;Chutava no saco, dava rasteira, apunhalava pelas costas, atirava areia nos olhos do oponente, que tentava jogar limpo.&lt;br /&gt;Pior era ter que ver ela ali, ainda por cima torcendo contra.&lt;br /&gt;Contra Marcelo.&lt;br /&gt;Que, cansado, pediu água e levantou a bandeira.&lt;br /&gt;Bandeira branca, igual ela.&lt;br /&gt;Resolveu se entregar.&lt;br /&gt;Branco aproximou-se da mesa onde ela, soberana, repousava.&lt;br /&gt;Vencera a peleja; com ela era realmente o maioral.&lt;br /&gt;O mais forte.&lt;br /&gt;O dono da situação.&lt;br /&gt;O cara.&lt;br /&gt;- Querida, que saudade.&lt;br /&gt;Então sentiu.&lt;br /&gt;Antes do primeiro aconchego e da primeira cafungada.&lt;br /&gt;Uma dor de barriga lancinante, uma diarréia incontrolável.&lt;br /&gt;Soltou dois ou três peidos, detectados pela audição e pelo olfato de todos que estavam por ali, com ela.&lt;br /&gt;Tentou correr para o banheiro, mas já saiu se cagando por entre as pessoas que abarrotavam a sala.&lt;br /&gt;Foi um fiasco.&lt;br /&gt;A festa toda parou para ver Branco e suas mil flatulências.&lt;br /&gt;Até a loira simpática e linda que foi trocada por ela agradeceu a Deus pelo fora que levou.&lt;br /&gt;Branco, o fracassado.&lt;br /&gt;Perdeu a batalha, por fim.&lt;br /&gt;Deveria saber que todo bom jogador sabe que não se ri por último, quando não se é o último.&lt;br /&gt;Marcelo, afinal, tinha lá seus truques.&lt;br /&gt;Truques sujos, além de muito mal cheirosos.&lt;br /&gt;Maldita cocaína.&lt;br /&gt;Definitivamente, não queria vê-la nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jana Lauxen escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.janalauxen.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.janalauxen.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://e-blogue.com/blogs"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://e-blogue.com/blogs&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.3ammagazine.com/brasil"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.3ammagazine.com/brasil&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://cafeespacial.wordpress.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://cafeespacial.wordpress.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.jornalvaia.com.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.jornalvaia.com.br/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.becodocrime.net/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.becodocrime.net/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Contato com a autora: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:3am.jana@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;3am.jana@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-7031662905294675661?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/7031662905294675661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/7031662905294675661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/06/ela-e-ele_29.html' title='Ela e Ele.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-7378562794883511792</id><published>2009-06-24T11:28:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:39:54.850-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Denise Ravizzoni'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><title type='text'>Luz na noite (SOCORRO).</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quase madrugada. Naquela hora particular, depois da meia-noite e antes das duas da manhã, em que as ruas ficam muito, muito quietas. Uma quarta-feira. Aquele silêncio ainda leve, como se a noite estivesse se preparando para entrar no período R.E.M. do seu sono escuro. Era nessa rua que ela caminhava, ouvindo o som dos saltos da bota batendo na calçada úmida, escorregadia – chuva fina. Friozinho de começo de inverno. Gostava de noites assim. Era estranho que estivesse na rua a uma hora dessas, mas acontece que se atrasou. Simplesmente perdeu a noção do tempo na casa dos amigos. Sua casa era perto. Resolveu voltar caminhando. Achou que não seria perigoso. Dava-se bem com o silêncio das ruas vazias. Além do mais, o trecho era bem iluminado.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Enquanto andava e respirada o ar frio, observava as luzes piscantes do semáforo na esquina, lá adiante. Durante as madrugadas, nada de troca de cores. Nada de vermelho. Nada de verde. Só o amarelo em intervalo s curtos e regulares. Como um contador de tempo. Quase um retrato em branco e preto com o toque da luz &lt;?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" /&gt;&lt;st1:personname st="on" productid="em amarelo.  E"&gt;em amarelo.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;E&lt;/st1:personname&gt; uma luz nova chega ao seu cenário de filme noir. Vindo em sentido contrário, umas três quadras adiante, uma mancha vermelha e dois faróis projetando uma luz forte nos pingos da chuva fina. Havia algo de estranho, o carro vinha rápido demais. Entrava na curva da esquina como se estivesse solto, flutuando na pista. Por um segundo, ficou apenas olhando, observando, acompanhando com olhos atentos a trajetória esquisita do automóvel. Só depois entendeu. O motorista havia perdido o controle. O carro estava capotando. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Um passo de recuo. Colou-se ao muro gelado bem rente à fachada de um prédio. Medo que o carro voasse em sua direção. Mas não foi isso o que aconteceu. A pista úmida se encarregou de jogar o carro contra um poste. O motorista foi projetado pelo vidro frontal. Ela ouve o som da freada brusca na entrada da curva, o som do carro capotando e batendo as ferragens no poste, o som dos vidros quebrados. Segundos que pareceram horas. E, logo depois, silêncio abissal. Foi se aproximando aos poucos da pessoa que havia atravessado os vidros. Era um homem. Um homem jovem. O rosto muito ensangüentado. Cacos de vidro por toda a parte. Ajoelha-se perto do homem. Ela está consciente. Deitado no asfalto frio, a malha clara começando a ficar molhada e já pintada de vermelho. Ela estende a mão e toca de leve a testa do homem, que diz, com muita dificuldade:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Me ajuda...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ela não responde. Não consegue. Fica ali, bem perto, observando os olhos escuros do homem, muito abertos, fitando-a com desespero, dor e ansiedade. Ela inclina um pouco a cabeça para o lado, chega mais perto para examinar melhor. Sente a respiração entrecortada do homem. Pensa que deve ter quebrado alguns dentes ou o osso do maxilar, já que o rosto estava estranhamente desfigurado. O homem tenta mover a mão em sua direção, mas não consegue. Tenta falar mais alguma coisa, mas da boca sai apenas um estranho gorgolejar e um jorro de sangue escuro, brilhante, espesso. Continua ali, fascinada, hipnotizada pela cena, as rodas do carro viradas para o ar da noite e ainda girando, o homem de blusa clara deitado no chão escuro. Ela sorri de leve e chega ainda mais perto, mais perto. Sente o hálito quente do homem na pista. Cheiro de álcool, ela pensa. Talvez tenha bebido muito. Mas isso não vinha ao caso. Ela tinha um espetáculo único, exclusivo, e estava aproveitando cada momento. O homem parece fazer grande esforço e consegue erguer um pouco a mão, toca em seu joelho, e meio que fala, meio que grunhe:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Socorro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ela sorri novamente. Percebe o brilho dos olhos dele levemente alterados. Os braços se debatem por uns segundos para, logo depois, ficarem estáticos, imóveis. O olhar muda, fica vazio. Ela se aproxima novamente e sente que não há mais suspiro, gorgolejo, movimento respiratório, nada. Ele está morto. Só então ela enche os pulmões de ar, olha em volta e grita, com todas as suas forças:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Por favor, alguém ajuda aqui!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Denise Ravizzoni escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://sexoecrimecialtda.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://sexoecrimecialtda.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://e-blogue.com/blogs"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://e-blogue.com/blogs&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.3ammagazine.com/brasil"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.3ammagazine.com/brasil&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.becodocrime.net/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.becodocrime.net/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://deniseravizzoni.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://deniseravizzoni.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Contato com a autora: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:denise_ravi@hotmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;denise_ravi@hotmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-7378562794883511792?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/7378562794883511792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/7378562794883511792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/06/luz-na-noite.html' title='Luz na noite (SOCORRO).'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-6527474987710696961</id><published>2009-06-22T10:04:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:39:32.315-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leandro Fonseca'/><title type='text'>O beijo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;As mãos de F. navegam calmamente sobre aquele mar de cabelos ondulados, onde a maciez daqueles fios ruivos trazia-lhe uma sensação de calma e conforto. Os dedos deslizaram por todo o pescoço de Helena. Trêmula, a mulher sentia aquelas mãos tocarem suas costas nuas e as unhas cravadas em sua pele trazer-lhe um estranho prazer misturado com dor. Ela curvava-se cada vez mais sobre a cama, empurrada pelo corpo de F. que estremecia a cada movimento. O corpo dela fora finalmente tombado sobre o leito, caída sobre o lençol branco como uma sereia à luz do luar. Os cabelos afogueados, espalhados sobre o colchão, os olhos cor de esmeralda fitando F. tão profundamente, que ele teve a sensação de ter a alma bisbilhotada.&lt;br /&gt;Ele virou o corpo de Helena com cuidado, ajoelhou-se sobre o chão, tendo os olhos alinhados aos joelhos dela. Colocou as mãos sobre as coxas da mulher, acariciando cada centímetro de pele macia, sentindo os pêlos e suor arrepiar seu próprio corpo. As mãos dela agarraram as suas, puxando-o para mais perto de si. Ainda de joelhos, ele encostou a cabeça sobre as coxas de Helena, podia sentir aquele cheiro de mulher exalado de cada poro, podia encostar sua boca no ventre dela, sentir e ouvir sua respiração ofegante, beijar aqueles pêlos e aquele suor que tanto o faziam estremecer. Tirou os joelhos do chão, F. ia erguendo o corpo lentamente, explorando cada espaço da pele de Helena que seus lábios podiam conhecer, sentindo seu cheiro e seu gosto salgado, gosto que somente as sereias têm.&lt;br /&gt;Quando o corpo do homem deitou-se sobre o de Helena, ela teve uma forte vontade de mordê-lo, mastigar sua carne e beber do suor que escorria-lhe pela face rubra. Enquanto ele beijava seu pescoço, a mulher cravava suas unhas nas costas de F., que gemia, suspirando profundamente, sem descolar os lábios da pele de Helena. A boca dele aproximava-se cada vez mais dos lábios secos dela. Lábios que pareciam duas faixas estreitas de um deserto inóspito. F. agarrou com força os cabelos da mulher, e abrindo-lhe as pernas, curvou-se sobre seus seios, semelhantes a um par de luas cheias. Lambeu-lhe os mamilos, como uma criança faminta nos braços da mãe, à procura do leite. Helena sussurrara gemidos ao pé do ouvido do homem, que a beijava ardentemente, como se aquele fosse o último dia de sua vida.&lt;br /&gt;Seus beijos foram transportados para o rosto da mulher. As bochechas rosadas roçavam sobre os lábios de F., afogado em um profundo delírio. Ela contorcia-se freneticamente como se habitada por espíritos, os membros queriam se afundar na pele de F., transpassar sua carne, seus olhos, seus órgãos, sua alma. O homem então a beijou; beijou como um tornado devastando uma cidade, uma labareda a queimar a pele de uma bruxa. Ela sentia seu corpo estremecer, podia sentir o suor escorrer paulatinamente por todo seu pescoço até cair no lençol branco. Enfim, tirou uma de suas mãos das costas de F., introduzindo-a sorrateiramente por debaixo dos travesseiros.&lt;br /&gt;O homem tirou seus lábios da boca dela, olhando para trás. Com um grito rouco, ele ergueu o tronco, e apenas teve tempo de agarrar-se aos cabelos ruivos e cacheados de Helena, e olhar profundamente para seus olhos verdes. O corpo de F. finalmente caíra sobre o da mulher, imóvel, a respiração lenta, lenta, até não existir mais. Helena não conseguia mais sentir o sangue correr pelas veias do homem, nem ouvir seu coração bater com força, quase que com desespero. Ela apenas ouvia, agora, um silêncio aterrador. O vento havia se calado. Ela retirou das costas dele a faca, permanecendo sentada sobre a beira da cama. Percebeu que os lençóis não eram mais brancos. Eram agora vermelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leandro escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://caixaamarela.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://caixaamarela.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;contato com o autor: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:dii_lugh@yahoo.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;dii_lugh@yahoo.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-6527474987710696961?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/6527474987710696961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/6527474987710696961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/06/o-beijo.html' title='O beijo.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-6557814515552949958</id><published>2009-06-19T06:53:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:39:08.860-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cisticerco'/><title type='text'>Melhor amigo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Desde que eu era pequeno já sabia que era diferente de todas as outras crianças. Eu não tinha amigos. Praticamente nenhum. Eu tinha dificuldade para me comunicar com os outros. Elas não me entendiam. Às vezes eu mesmo não me entendia.&lt;br /&gt;Eu tinha cerca de 8 anos quando fiquei sabendo que tinha um problema na cabeça, que me impedia de falar direito como toda pessoal normal. Havia ocorrido uma má formação cerebral. Um problema genético, disseram à minha mãe. Provavelmente em decorrência da dependência química dela.&lt;br /&gt;Não sei quem é meu pai. Às vezes acho que nem ela sabe.&lt;br /&gt;Lembro de ter conhecido Tony ainda bem pequeno, talvez por volta dos 5 ou 6 anos de idade. Tony viria a ser o meu melhor amigo. Ao Tony eu não precisava falar nada. Ele sabia o que eu estava pensando ou dizendo. Era como se conseguisse ler meus pensamentos. Podíamos passar horas brincando juntos, conversando, rindo. Ele era tudo que eu conhecia em termos de amizade. Tony tinha a mesma idade que eu.&lt;br /&gt;Por não conseguir me comunicar direito, dificilmente conseguia fazer amizades na escola. Pelo contrário. Muitas vezes eu era ridicularizado pelas outras crianças. Chamavam-me de retardado. Todos zombavam de mim. Menos Tony.&lt;br /&gt;Aos 10 anos minha mãe conseguiu uma vaga numa escola para crianças especiais. Isso foi logo depois do incidente com o garoto na outra escola. Roberto era seu nome. Roberto vivia me chamando de doente e retardado. Todos os dias. Todo momento. Tony já havia dito que eu deveria fazer alguma coisa. Não podia deixá-lo ficar me humilhando daquela forma. Tony queria que eu brigasse com ele. Mas eu não. Era contra brigar com alguém.&lt;br /&gt;Aquela manhã: estávamos resolvendo exercícios que a professora havia nos passado, quando Roberto me chamou de retardado. Tony se enfureceu. Ficou louco. Pegou o lápis da minha mão e foi para cima do garoto. Enfiou o lápis no olho direito de Roberto. Um grito ecoou pela sala de aula. No mesmo instante o sangue jorrou de seu rosto. Suas mãos pequenas cobriam seus olhos. O lápis havia perfurado seu olho. O sangue escorria vermelho, entre seus dedos, descendo pelos seus braços.&lt;br /&gt;Desde aquele dia fui proibido de ir para a escola normal e minha mãe conseguiu uma vaga num colégio especial para crianças com problemas como eu. Roberto perdeu a visão do olho direito. "Ele mereceu" dizia Tony. "Ele mereceu".&lt;br /&gt;Eu e Tony crescemos juntos. Minha mãe estava cada vez mais distante de mim. Passava grande parte do dia deitada, descansando de suas noites de bebedeira e farra com seus amigos. Todas as noites. Às vezes eram vários os amigos de minha mãe que iam à nossa casa, conversar e beber com ela. Um dia, um desses seus amigos bateu nela. Seu rosto ficou muito machucado. Ela então não podia deixar nenhum outro amigo dela vir visitá-la por semanas. Durante esse período ela mudou muito comigo. Brigava comigo a toda hora e por qualquer motivo. Dizia que não havia dinheiro, nem comida. Acredito que eram os amigos de minha mãe que lhe davam algum dinheiro para nós sobrevivermos. Um dia bêbada, ela me deu uma surra. Eu apenas fiquei quieto. Fui chorar no quarto. Tony não gostou do que aconteceu. Ficou muito bravo. Muito mesmo. Disse-me que iria se vingar da minha mãe. "Aquela vadia" dizia, ele. "Aquela vadia miserável vai ver só". "Prostituta drogada, vai se arrepender de ter batido em você".&lt;br /&gt;Eu tentava convencê-lo de que minha mãe não havia feito por mal. Que ela estava apenas chateada por causa dos seus amigos. Mas Tony estava louco. Nada podia fazê-lo mudar de idéia.&lt;br /&gt;Eu e Tony passávamos o dia todo juntos. Íamos para a escola, brincávamos e ele dormia lá em casa, mesmo sem minha saber. Era nosso segredo. Ninguém podia saber, dizia Tony. Ele dizia que não deveríamos contar a ninguém que éramos amigos, porque senão, iriam tentar nos separar.&lt;br /&gt;Aquele dia minha mãe estava na cozinha preparando o almoço. Eu tinha 12 anos. Era um dia chuvoso e frio. Tony entrou na cozinha em silêncio, minha mãe cantava a mesma música de sempre. Tony detestava aquela música. A facada que Tony deu nas costas da minha mãe acertou a altura do rim. Ela gritou e caiu no chão. Muito sangue começou a escorrer pelo chão da cozinha. Tony deu mais 3 facadas. Uma delas acertou seu peito, outra seu pescoço. Foi quando mais sangue escorreu do corpo da minha mãe. De onde eu estava podia ver seus olhos desesperados me olhando, sem saber o que estava acontecendo. Ela me olhava. E seus olhos me perguntavam o porquê daquilo. Mas Tony estava louco. Se eu tentasse impedi-lo ele me mataria também. Eu apenas fiquei ali, ao lado dela enquanto Tony continuava a esfaqueá-la. Ele estava louco.&lt;br /&gt;Fui mandado para um tipo de orfanato.&lt;br /&gt;Tony estava cada vez pior. Brigava com os outros internos. Dizia que era para me proteger. E por mais que eu lhe dissesse que não deveria fazer isso, nada adiantava. Ele estava enlouquecendo. Falou que se eu falasse algo para alguém sobre ele, me mataria.&lt;br /&gt;Uma noite Tony saiu do quarto sem eu ver. Noite anterior havia discutido com a enfermeira que cuidava do orfanato. Tony pegou uma faca na cozinha e foi em direção ao quarto da enfermeira. Em silêncio entrou no quarto e a esfaqueou. Foram mais de 15 facadas. Dava para ouvir os gritos dela por todo o prédio. Tony estava fora de controle. Ele havia enlouquecido de vez. Não conseguia mais conversar com ele. Ele não me ouvia mais. Na verdade nunca ouviu.&lt;br /&gt;Ele voltou para o quarto. Na porta, dava para ver o sorriso doentio em seu rosto. Seu corpo coberto de sangue. Seu rosto enlouquecido. A faca na mão.&lt;br /&gt;Começamos a discutir. Durante todos esses anos fomos amigos. Tony era meu melhor amigo. Meu único amigo. Discutimos. Tentei tirar a faca de suas mãos. Ele estava enlouquecido. Doente. Ele dizia que ia acabar comigo. Estava louco.&lt;br /&gt;Foi tudo muito rápido. Nós dois caímos no chão. E na queda a faca perfurou meu peito. Ele me olhou nos olhos. Seu semblante mudou. Por um momento pareceu estar assustado. Parecia não saber o que tinha feito. Parecia arrependido. Eu senti o sangue subindo pela garganta. Quente. Apenas olhava para Tony. Meu melhor amigo. Meu único amigo.&lt;br /&gt;Com calma Tony tirou a faca do meu peito. Me olhou nos olhos por alguns momentos. Depois sorriu e continuou a me esfaquear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polícia não sabe explicar o que aconteceu. Sabe apenas que um garoto, com cerca de 13 anos foi encontrado com mais de 20 facadas. O mais impressionante é que sua mão estava presa a faca encravada em seu peito, como se ele próprio tivesse se esfaqueado. No seu rosto, um sorriso de satisfação. No quarto ao lado, a diretora do Manicômio infantil também foi encontrada morta e esfaqueada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Cisticerco escreve: Cisticerco escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://cisticerco.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://cisticerco.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Contato com o Autor: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.skypizza@hotmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;www.skypizza@hotmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-6557814515552949958?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/6557814515552949958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/6557814515552949958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/06/melhor-amigo.html' title='Melhor amigo.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-9073288441568579454</id><published>2009-06-17T07:26:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:38:32.248-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Plínio Gomes'/><title type='text'>Benfeitor.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A vida de meu filho foi fadada ao sinistro, ao obscuro, à morte. É duro para um pai assumir isso, reconhecer um filho, o único filho como um assassino. Mas não como qualquer um, não como os que aparecem nos noticiários.&lt;br /&gt;Tudo começou no dia em que ele nasceu, num ano bissexto, dia vinte e nove de fevereiro. Ao dar a luz, minha esposa não resistiu ao esforço e a quantidade de sangue que perdeu. Queríamos muito um filho. Uma criança traria alegria completa. A gravidez foi arriscada desde o início, não chegou a completar os nove meses.&lt;br /&gt;Depois, quando levado para a incubadora, ficou junto de outras cinco crianças prematuras, que morreram por conta de uma infecção fulminante, a qual surgiu logo após a sua chegada, mas ele nada teve, pelo contrário, parecia que se fortalecia a cada morte que causava. Foi tido como um herói, pelas enfermeiras e médicos, não só por superar as dificuldades de seu nascimento prematuro, mas também por resistir bravamente àquela misteriosa infecção. Eles não sabiam que nosso menino trazia a morte consigo, e eu ali, dividido entre a felicidade de um filho vivo e a tristeza da companheira morta.&lt;br /&gt;O garoto foi crescendo e eu ia me assustando com a sua frieza e capacidade de andar lado a lado com a morte, com a destruição. Todos os animais que ele ganhava eram mortos. Ele quebrava todos os seus brinquedos. Aos cinco anos, quase não falava, era amedrontador, estranho.&lt;br /&gt;As coisas começaram a tomar uma proporção gigantesca quando uma menina apareceu sufocada com um saco de lixo na escola. A menina era coleguinha de meu filho. Eu não sabia o que fazer, tinha certeza de que havia sido ele. Aguardei a poeira baixar e o tirei da escola, na verdade deveria tê-lo entregado a polícia, mas com que provas?&lt;br /&gt;Dentro de casa, ele se tornou mais perigoso, agressivo, asqueroso. E o seu silêncio me incomodava profundamente, eu falava, perguntava, tentava ter alguma conversa, mas ele nada dizia: apenas me olhava com os olhos secos. Era nítido o seu desprezo por mim, seu pai. Seu quarto fedia, ele fedia. Magro, quase cadavérico, sem cor, pálido. Com o passar dos dias, surgiam novas notícias de pessoas assassinadas nas redondezas de nossa casa e de nosso bairro.&lt;br /&gt;Depois que meu filho completou treze anos, esse tipo de notícia aumentou. Ele precisava encontrar a morte que lhe trouxe a vida – uma senhora assassinada a pauladas; um homem com a garganta cortada; gatos e cachorros sem cabeças; crianças asfixiadas; mendigos queimados. A polícia fazia suas rondas e investigações sem qualquer sucesso. Mas eu sabia que era ele. Por isso a angústia, o medo e o horror me perseguiam.&lt;br /&gt;Uma noite, esperei ele sair e fui atrás dele. O vi entrando na casa de três senhoras irmãs e viúvas. Ele entrou pela porta da frente, como se elas permitissem sua entrada. Aguardei um pouco e fui bater à porta. Ele veio atender todo melado de sangue, frio, calculista. Certamente já tinha esquartejado as três. Aquilo era demais para um pai. Peguei o 22 que levava comigo e descarreguei nele. Oito disparos. Seu rosto permaneceu sínico, gélido, mas eu já não sentia mais medo dele. A vizinhança ouviu os tiros e chamou a polícia.&lt;br /&gt;É por isso que estou preso, aguardando meu julgamento há pelo menos três meses. O defensor público disse que não sairei tão cedo. Acusaram-me do assassinato das três senhoras, do meu filho e de outras tantas mortes que aconteceram nas redondezas, todas elas praticadas por ele. O infeliz não deixava marcas, nem digitais em seus crimes, era meticuloso. Logo eu, um benfeitor? Mas ninguém acredita num pai que mata o filho, mesmo que ele seja a própria encarnação da morte, do próprio demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plínio Gomes escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://zingador.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://zingador.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pliniogomes.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://pliniogomes.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://blogcabecascortadas.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://blogcabecascortadas.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;a href="http://universoderetalhos.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://universoderetalhos.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Contato com o autor: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:pliniogomess@hotmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;pliniogomess@hotmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-9073288441568579454?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/9073288441568579454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/9073288441568579454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/06/benfeitor.html' title='Benfeitor.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-6334830331566718741</id><published>2009-06-15T10:04:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:35:38.488-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Afobório'/><title type='text'>Paranóia.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quando a droga ficava escassa, a voz tratava de inflamar o garoto. Não havia descanso.&lt;br /&gt;- Hei, moleque, levanta daí meu.&lt;br /&gt;- Porra! Tem mais uma?&lt;br /&gt;- Eu não quero saber. Quer me deixar a míngua? Matar quem está sempre contigo?&lt;br /&gt;- Nada a ver camarada. Só mais um tapa.&lt;br /&gt;- Não, não, não! Olha lá, tem uma velhinha passando com a bolsa cheia de grana. Assalta ela e compra mais antes que eu morra.&lt;br /&gt;E o viciado atravessou a rua.&lt;br /&gt;- E aí vovó, dá um trocado aí?&lt;br /&gt;- Eu não tenho meu filho.&lt;br /&gt;- E essa bolsa cheia?&lt;br /&gt;- Não tenho dinheiro, já disse.&lt;br /&gt;A velha foi agredida e caiu na calçada. E a sua bolsa foi arrancada rapidamente pelo viciado enlouquecido, que correu sem o menor medo. Quando chegou até a mureta onde dormia, encontrou sua amiga.&lt;br /&gt;- Ah, moleque. Isso aí. Poxa, achei que me deixaria morrer...&lt;br /&gt;- Não, olha só: consegui comprar mais cinqüenta pedras. Mas tive de dar um tabefe na maldita, ela não queria entregar a bolsa.&lt;br /&gt;- É isso aí, a gente tem de pegar o que quer. E depois, aposto que ela usa a aposentadoria para encher a pança de passarinhos com alpiste e de gatinhos com carne moída de primeira.&lt;br /&gt;- É verdade, mas eu já aprendi que não se deve carregar culpa nenhuma, nunca.&lt;br /&gt;- É assim que se fala meu.&lt;br /&gt;- Pode crer. Agora me deixa fumar mais uma.&lt;br /&gt;Enquanto usava o crack, sua cabeça voava; a sensação era como uma martelada no dedo, a fome sumia, a força voltava. Sentia seu corpo mais poderoso do que cinco homens parrudos. Mas em poucas horas o bagulho acabou.&lt;br /&gt;- Porra! Que merda.&lt;br /&gt;- Deixa de onda moleque. Vai, se vira meu. Vai deixar sua camarada morrer?&lt;br /&gt;- Não, deixa comigo.&lt;br /&gt;O moleque saiu alucinado. Ventava, o frio tirava as pessoas da rua. O viciado ficou desesperado, então teve a idéia de ir para frente do hospital. Assim que chegou, pensou: Ah, me dei bem. Olha quanta gente.&lt;br /&gt;Foi até a entrada destinada aos visitantes e encontrou um senhor que abria a porta do carro.&lt;br /&gt;- E aí tio, me apóia num trocado?&lt;br /&gt;- Eu não tenho – disse o homem com a porta ainda aberta.&lt;br /&gt;- O tio, pensa que sou otário? Passa a grana!&lt;br /&gt;E o moleque abriu a porta e grudou suas mãos na gola da jaqueta jeans que o motorista usava. Começou um combate. As pessoas que passavam pela calçada ficavam estarrecidas, mas ninguém tinha coragem de ajudar.&lt;br /&gt;Foi quando os dois embolaram-se no chão, e rolaram até o meio de uma poça. O homem segurava as mãos do moleque que, irritado, soltou uma delas e enfiou os dedos nos olhos do cidadão.&lt;br /&gt;- Ah! Filho da puta – gritava o homem de olhos fechados.&lt;br /&gt;Nesse momento, o moleque grudou uma chave de fenda entre a segunda e terceira costela do tiozinho, que caiu na hora, bem no meio de toda aquela água suja. Depois meteu a mão no bolso e fugiu com a carteira.&lt;br /&gt;Enquanto corria pelo meio do estacionamento do hospital, ninguém se atreveu a impedi-lo. Quando alcançou a avenida, sumiu no meio da multidão. Logo que chegou de volta ao muro onde dormia, encontrou sua amiga.&lt;br /&gt;- Conseguiu?&lt;br /&gt;- Claro que sim, eu não deixaria você morrer.&lt;br /&gt;- Boa moleque, é por essas e por outras que você é meu garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afobório escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.afoborio.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.afoborio.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.e-blogue.com/blogs"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;www.e-blogue.com/blogs&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.3ammagazine.com/brasil"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;www.3ammagazine.com/brasil&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.becodocrime.net/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.becodocrime.net/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Contato com o autor: afoborio@gmail.com &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-6334830331566718741?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/6334830331566718741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/6334830331566718741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/06/paranoia.html' title='Paranóia.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-4800311969929083931</id><published>2009-06-10T08:30:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:35:02.501-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jana Lauxen'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><title type='text'>Vovó Imelda.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Vaca.&lt;br /&gt;Era o que pensava Rogério enquanto, encostado em uma árvore, observava a casa que até seis anos atrás chamava de sua.&lt;br /&gt;Viveu ali uns bons dez anos, ao lado de Irene, a vaca, e aqueles cachorros idiotas que ela chamava de bebês.&lt;br /&gt;A casa agora estava com outra aparência: cerquinhas brancas, uma caixa de correios em forma de casinha, as paredes pintadas cor de rosa, um pomar perto da garagem, uma gaiola na varanda com um papagaio enfiado dentro.&lt;br /&gt;Rogério não gostou, porque achou tudo muito careta.&lt;br /&gt;Mas a verdade é que a decoração da nova moradora pouco interessava.&lt;br /&gt;Ele queria era saber do seu diamante, enterrado no meio da cozinha.&lt;br /&gt;Mais precisamente embaixo de um azulejo azul, levemente rachado, da esquerda para a direita de quem entra.&lt;br /&gt;Foi ali que escondeu seu tesouro, 5 milhões de dólares, fruto do único assalto decente que fez na vida.&lt;br /&gt;Era ladrão pé de chinelo, mas naquela joalheria metida a fina superou-se, e se deu bem.&lt;br /&gt;Ou, pelo menos, era o que pensava quando enterrou sua fortuna logo ali.&lt;br /&gt;A casa era de sua finada mãe e, depois de cumprir seus seis anos de cadeia, o plano era sair, pegar o que era seu por direito e viver feliz para sempre tomando cicuta e comendo azeitonas em um duplex na avenida central.&lt;br /&gt;Mas aquela vaca da Irene, a cretina que dormiu ao seu lado durante 15 anos e lhe jurou fidelidade absoluta, vendeu a maldita casa e se mandou com um mexicano de bigode cantador de bolero.&lt;br /&gt;Ela ter ido embora era até bom.&lt;br /&gt;Uma chatinha, a Irene, sem contar que andou engordando nos últimos anos.&lt;br /&gt;Podia fugir com o mexicano, e graças a Deus levou consigo aqueles cachorros enjoados, mas não precisava vender a casa!&lt;br /&gt;Não a casa que guarda um diamante de 5 milhões de dólares embaixo do azulejo da cozinha!&lt;br /&gt;Fez bem quando decidiu não lhe contar que o assalto, ao contrário do que parecia, havia sido um sucesso.&lt;br /&gt;Senão agora quem estaria feliz tomando cicuta e comendo azeitonas em um duplex na avenida central seria ela e seu amante bigodudo.&lt;br /&gt;Respirou fundo.&lt;br /&gt;Antes de alimentar sua fúria contra Irene, precisava descobrir quem era o novo dono da casa, e como faria para pegar de volta o que era seu.&lt;br /&gt;- A César o que é de César.&lt;br /&gt;Foi o que Rogério disse, um pouco antes de acender um cigarro.&lt;br /&gt;Então a porta da frente se abriu, e de lá saiu uma velhinha de cabelos brancos e vestido azul. Caminhava devagar e delicadamente, acenando para todo mundo que encontrava. Parecia com dificuldade para carregar uma sacola toda florida, e Rogério não perdeu tempo:&lt;br /&gt;- Ajuda, senhora?&lt;br /&gt;A velha abriu um sorriso gentil:&lt;br /&gt;- Oh, sim, obrigada meu filho.&lt;br /&gt;E lhe alcançou a sacola que, até mesmo para ele, pareceu pesada.&lt;br /&gt;- Vou até o orfanato, na rua ali de baixo. São biscoitos e tortas que eu levo para as criancinhas, toda semana.&lt;br /&gt;- Que legal – respondeu, enquanto bocejava.&lt;br /&gt;Ela lhe estendeu a mão.&lt;br /&gt;- Imelda, prazer.&lt;br /&gt;- O prazer é todo meu, senhora. Rogério, ao seu dispor.&lt;br /&gt;E, devagar, os dois foram descendo a ladeira.&lt;br /&gt;Na volta do orfanato, Rogério já estava bem mais sossegado.&lt;br /&gt;Conseguir entrar na casa seria mais fácil do que poderia imaginar.&lt;br /&gt;Vovó Imelda era muito amigável. Foi logo contando que morava sozinha, e não tinha filhos, apenas um papagaio chamado Alfredo. E que gostava de fazer bolos e doces, e cuidar de hortas, e Rogério logo deduziu que a velhota só podia ser carente.&lt;br /&gt;Perfeito.&lt;br /&gt;Então ofereceu-se para levar os aperitivos para a criançada toda a semana.&lt;br /&gt;Depois se dispôs a ajudá-la também com a horta.&lt;br /&gt;Logo, foi convidado para tomar uma xícara de chá, e descobriu com alegria que os azulejos da cozinha continuavam os mesmos.&lt;br /&gt;Quando viu, já aparecia para o café da manhã, o almoço e, algumas vezes, até para o jantar, sempre elogiando exageradamente seu tempero.&lt;br /&gt;Em um mês, era o queridinho da vovó Imelda.&lt;br /&gt;Inventou para a velha um monte de mentiras: disse que era estudante, e dividia um apartamento com alguns colegas de faculdade, há poucas quadras dali. Disse que estava procurando um estágio, mas que era difícil para quem estava começando. Disse que seu sonho era trabalhar e encontrar um grande e verdadeiro amor, e vovó Imelda achou tudo isso muito fofo.&lt;br /&gt;Um dia, enquanto comiam um bolo de cenoura na cozinha, vovó pediu licença e foi até seu escritório atender uma ligação.&lt;br /&gt;Era a oportunidade que Rogério esperava.&lt;br /&gt;Até porque não agüentava mais a conversa mole e açucarada de Imelda.&lt;br /&gt;Só suportou tanto tempo porque a velha cozinhava muito bem, mas até seus quitutes andavam lhe fazendo mal, e uma dor de barriga terrível lhe atacava quase diariamente.&lt;br /&gt;Sem pensar, largou o bolo no prato, contou os azulejos, encontrou o azul rachado, retirou-o e, ao fundo de um buraco de mais ou menos 20 centímetros, dentro de um pacote de veludo vermelho, deparou-se com seu diamante.&lt;br /&gt;Sorriu, quase emocionado, e já ia colocando a preciosidade no bolso do casaco quando sentiu um estrondo seco, e algo quente escorrendo pela sua nuca.&lt;br /&gt;Levou a mão ao pescoço e a trouxe de volta, encharcada de sangue.&lt;br /&gt;Ainda teve tempo de ver vovó Imelda parada na porta da cozinha, surpreendentemente boa de alvo, apontando-lhe uma pistola:&lt;br /&gt;- Desculpe, meu filho, mas na minha pedra ninguém meche mais.&lt;br /&gt;Rogério caiu morto, de bruços, a pedra firme em sua mão.&lt;br /&gt;Imelda suspirou, levemente entediada, e com as dificuldades habituais que seus 73 anos ofereciam, caminhou até o corpo, ajoelhou-se e arrancou o diamante da mão do defunto.&lt;br /&gt;O mesmo diamante que lhe foi roubado seis anos atrás, enquanto era restaurado em uma joalheria fina.&lt;br /&gt;E pior: roubado por uns ladrões pés de chinelo, que acabaram capturados algumas horas depois e sequer saberiam apreciar devidamente tão rara jóia.&lt;br /&gt;Todas as jóias furtadas durante o assalto foram recuperadas.&lt;br /&gt;Todas, menos o diamante.&lt;br /&gt;O seu querido diamante.&lt;br /&gt;Imelda prometeu que não morreria antes de recuperar seu tesouro.&lt;br /&gt;Não foi difícil.&lt;br /&gt;Ao contrário do que o palerma do Rogério pensava, Irene sabia sim da existência do diamante.&lt;br /&gt;O que ela não sabia era que aquela pedra branca do tamanho de uma uva valia 5 milhões de dólares – o que facilitou muito a vida de vovó, que acabou comprando de volta o diamante por menos de 200 mil.&lt;br /&gt;Ter dinheiro, cabelos brancos e boas fontes facilitam muito a vida.&lt;br /&gt;Assim, quando Rogério apareceu na sua frente, há algumas semanas atrás, oferecendo-se para carregar sacolas com donativos, vovó Imelda sacou de cara quem ele realmente era.&lt;br /&gt;O conhecia pelas fotos, espalhadas por toda a casa - casa esta que também comprou de Irene, a preço de bananas.&lt;br /&gt;Imelda ficou porque queria conhecer o sujeito que lhe tomou tão adorado bem, e sabia que a primeira coisa que o desgraçado faria ao sair da cadeia era voltar para casa.&lt;br /&gt;E quando ele voltasse, ela estaria lá, o esperando.&lt;br /&gt;Aquele assalto não ficaria por isso mesmo, mas de jeito nenhum!&lt;br /&gt;Afinal passou por um processo muito traumático com o roubo de seu diamante de estimação. Ganhou rugas, uma gastrite, cabelos brancos. Até voltou a fumar, imagine só!&lt;br /&gt;Seis míseros anos de cadeia para punir ato tão sórdido contra sua dignidade eram irrisórios.&lt;br /&gt;Por isso os chás e os bolos servidos para Rogério vinham sempre temperados com farelos de vidro.&lt;br /&gt;Nada exagerado.&lt;br /&gt;O plano era matá-lo devagar, mas neste ponto o bandido até que se deu bem.&lt;br /&gt;Sua morte acabou sendo bem mais rápida que a planejada por vovó.&lt;br /&gt;Imelda olhou outra vez para o defunto, com nojo.&lt;br /&gt;Finalmente poderia deixar aquela casa caindo as pedaços, e aquele bairro suburbano, e aquele orfanato cheio de fedelhos piolhentos e famintos, e aquele papel de vovozinha-querida-incapaz-de-fazer-mal-para-uma-mosca.&lt;br /&gt;Não queria de jeito nenhum passar seus últimos anos fazendo bolos e doces e cuidando de uma horta, muito menos em um lugar com cerquinhas brancas, uma caixa de correios em forma de casinha, paredes pintadas cor de rosa, pomar perto da garagem.&lt;br /&gt;Chegava a ter ódio de Alfredo, o maldito papagaio.&lt;br /&gt;Queria mais era viver feliz para sempre tomando cicuta e comendo azeitonas em um duplex na avenida central.&lt;br /&gt;E foi o que fez, antes de desovar o corpo de Rogério no aterro de lixo da cidade.&lt;br /&gt;- A César o que é de César.&lt;br /&gt;Foi o que ela disse, um pouco antes de acender um cigarro e ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jana Lauxen escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.janalauxen.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.janalauxen.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://e-blogue.com/blogs"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://e-blogue.com/blogs&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.3ammagazine.com/brasil"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.3ammagazine.com/brasil&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://cafeespacial.wordpress.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://cafeespacial.wordpress.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.jornalvaia.com.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.jornalvaia.com.br/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.becodocrime.net/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.becodocrime.net/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Contato com a autora: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:3am.jana@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;3am.jana@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-4800311969929083931?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/4800311969929083931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/4800311969929083931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/06/vovo-imelda.html' title='Vovó Imelda.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-44813064135381737</id><published>2009-06-08T06:18:00.003-07:00</published><updated>2009-09-28T07:34:08.645-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leandro Fonseca'/><title type='text'>Repartindo o bolo com o serrote</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ela olhou para o rapaz. Deslizou as mãos quentes sobre a face rija do homem, enquanto acariciava seus cabelos desgrenhados e molhados de suor. Apanhou uma cadeira, depositando-a em frente ao companheiro. Esfregou a palma das mãos sobre as coxas, olhando para ele com um sorriso afetuoso. O rapaz ergueu lentamente a face, e de olhos fechados, gemeu baixo qualquer palavra. Abriu os olhos com a mesma velocidade com que levantou a cabeça, olhando fixamente para a mulher à sua frente. Ela sorriu mais uma vez, acariciando o queixo do homem com a ponta das unhas pintadas de vermelho. Deslizou os dedos pelo pescoço, ombros, e por fim, tocou seu peito nu. Podia sentir o pulmão do homem enchendo-se de ar, e logo após esvaziando-se com uma respiração trêmula.&lt;br /&gt;A mulher se levantou da cadeira e se dirigiu para a pia da cozinha. O barulho metálico que vinha da gaveta de talheres fez com que o homem se remexesse em sua cadeira, em um sinal de pavor. Aproximou-se dele, tendo em mãos um pequeno serrote enferrujado. Verificou por alguns instantes se ele estava bem amarrado em sua cadeira, fechou as cortinas floridas e uma escuridão tomou conta do recinto. O homem se remexeu na cadeira ao sentir as mãos dela tocarem seus pés descalços. Ela passeou as mãos pelas pernas do rapaz, que a cada centímetro que ela tocava de seu corpo, um gemido era ouvido.&lt;br /&gt;Seu grito foi abafado pelo pano que tapava sua boca. Os dentes do serrote penetraram em sua carne, pôde sentir sua pele esquentar com o sangue morno que jorrava de seu corpo. A mulher cravou ainda mais profundamente os dentes do serrote, rasgando com voracidade a carne do homem que se contorcia de dor, impossibilitado de se defender. Quando ela sentiu a lâmina parar sobre algo sólido, soube que já havia chegado à tíbia, e redobrou a força para serrar o pé da vítima. O barulho da tíbia e da fíbula se rompendo fez com que o homem derrubasse a cabeça sobre o peito, num temporário desmaio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Este pedaço do bolo vai para a sua mãe.&lt;br /&gt;Ela acendeu a luz da cozinha. Olhou para o chão banhado em sangue, e o pé do rapaz caído sobre o chão. Apanhou sobre a pia uma bacia com sal grosso, enfiando o que sobrara da perna do homem ali dentro. Este, recobrando a consciência, abriu os olhos emitindo um sussurro de ardor. A mulher acariciou os cabelos do companheiro, dando-lhe um beijo na testa e um sorriso de ternura. Apagando novamente a luz, sentou-se sobre o chão com o serrote em mãos, segurou o outro pé do homem, e novamente cravou os dentes da ferramenta em sua carne. Ele chacoalhou a cabeça diversas vezes, os olhos rompiam-se em lágrimas, não conseguia mais movimentar o que sobrara de suas pernas, mais um ruído de ossos rompendo, e seu segundo e último pé caíra sobre o chão coberto de sangue.&lt;br /&gt;- Este pedaço do bolo vai para o seu pai.&lt;br /&gt;Ela segurou com firmeza a panturrilha do homem, empunhando o serrote com a outra mão. Tocou os dedos no joelho e, posicionando a ferramenta em cima dele, tirou outros murmúrios de dor do rapaz agonizante. As veias romperam-se bruscamente. Com um único puxão, quebrou a patela semicerrada, arrancando esta parte da perna da coxa de seu companheiro. Fez o mesmo ritual na outra perna, quebrando dele a patela para fora da carne, deixando-o sangrar com o que restara de suas coxas.&lt;br /&gt;- Este pedaço do bolo vai para seu irmão, e este para sua irmã.&lt;br /&gt;O homem suava frio. A dor fazia sua mandíbula estremecer, sentia frio em todo o corpo despido de roupas, uma dor aguda percorria por todas suas veias, enquanto a mulher despejava sobre suas feridas mais sal grosso. Ela parou à sua frente com o serrote em mãos, carregando-o consigo como se segurasse a um filho. Ele tinha muito que dizer, talvez suplicar, mas, mesmo que seus lábios não estivessem presos por aquele pano, talvez não conseguisse pronunciar uma única letra se quer. Sua língua latejava, havia a mordido enquanto gritava em desespero.&lt;br /&gt;A mulher, em tom pausado, anunciara sua liberdade. Uma réstia de esperança que ele guardava no peito crescia gradativamente, pintou um sorriso no rosto enquanto via a mulher ir para trás da cadeira, agachar-se e tocar em suas mãos e algemas. O serrote deslizou pelos dois pulsos do rapaz que, com um grito fúnebre, deslizara o corpo para frente, caindo de rosto sobre o chão lavado em sangue. Sentiu uma dor cruciante na testa, ergueu o braço, e com terror constatou não ver mais sua mão ali. O carpo e metacarpo haviam-se separado do rádio, onde ele podia ver o branco dos seus ossos serrados para fora. O mesmo havia acontecido com a outra mão, caída ao lado do seu corpo, remexendo-se em seus últimos impulsos nervosos.&lt;br /&gt;- Estes dois pedaços de bolo vão para nosso filho, amor.&lt;br /&gt;O pano enrolado em sua boca havia se soltado, o homem podia agora respirar sem dificuldades. Ao cair no chão da cozinha, seus lábios foram de encontro com as poças de sangue. O rapaz podia sentir na garganta o gosto do seu próprio sangue; mais do que o gosto de sangue, o gosto de morte. Avistou o serrote nas mãos da mulher, em pé ao seu lado, sorrindo carinhosamente a ele. Sua boca estava livre e poderia gritar, mas a mordida havia anestesiado sua língua, onde sabia que conseguiria apenas balbuciar frases desconexas. A dor agia como sanguessugas em seu corpo, arrancando de si a força e a vida.&lt;br /&gt;A mulher esticou o que sobrara de um dos braços do rapaz e, posicionando o serrote, iniciou a separação do braço com o ombro. Ela fitou a face rija do homem, os olhos brancos, a boca semi-aberta à procura de ar numa respiração arfante. Ela teve dificuldades ao arrancar o úmero da escápula, a ferramenta havia arrancado junto parte da clavícula e mais outros gritos de agonia do homem, que se remexia sobre o chão, os olhos abertos, arregalados como os de uma coruja, a mandíbula tensa a morder a própria língua. Ela apanhou o braço e deixou-o de lado.&lt;br /&gt;- Este pedaço do bolo vai para sua avó.&lt;br /&gt;Cumprindo o mesmo ritual com o outro braço da vítima, teve que pisar sobre o membro do corpo para poder tirá-lo do lugar. Um barulho oco de algo sólido se rompendo ecoou em seus ouvidos, e o outro braço estava em suas mãos, como um troféu tenebroso.&lt;br /&gt;- Este outro pedaço de bolo vai para sua afilhada.&lt;br /&gt;A mulher havia percebido que restavam apenas alguns minutos de vida do homem estirado no chão. Sentou sobre o tórax dele, acariciando seu peito e pescoço. Curvou-se paulatinamente, encostando sua boca nos lábios do homem. Iniciou um longo beijo, onde sua língua era a única a se movimentar, a única a ter sentimento. Pôde ver seus olhos, idênticos como há dez anos atrás. Neste exato instante, ela se viu parada em frente a um bar, um cigarro parado nos dedos duros de frio, o cachecol azul-marinho caindo-lhe pelos ombros, e um homem, este mesmo em que estava sentada, aproximar-se de si e oferecer um copo de vodca, e logo depois um beijo.&lt;br /&gt;A lâmina do serrote em sua mão desenhou um corte retilíneo na garganta de seu companheiro. Logo depois mais outro, mais outro e mais outro corte, que resultaram na decapitação do cadáver. Ela se levantou rapidamente dali, agachou-se e apanhou pelos cabelos a cabeça do homem. Olhou para ele, e com felicidade, viu ali naqueles lábios macios, agora frios e mortos, um sorriso estampado. Mais do que um sorriso de felicidade, um sorriso sincero.&lt;br /&gt;Ela, então, deixou a cabeça em cima da mesa, subiu correndo as escadas de sua residência, descendo novamente para a cozinha carregada de algumas caixas de papelão e uma caneta no bolso da calça jeans. Apanhou um dos pés e botou-o dentro de uma das diversas caixas e fechou com fita adesiva. O mesmo fizera com o outro pé, pernas, mãos e braços. Carregando o que sobrara no corpo nas costas, ou seja, o tronco e coxas, depositou o resto do corpo do homem em um freezer no qual abrira com alguma dificuldade.&lt;br /&gt;Voltou sua atenção à cabeça, parada no centro da mesa de jantar, como um objeto de decoração. A mulher apanhou-o com delicadeza, deu um novo beijo na boca do cadáver e o pôs dentro da última caixa. Enxugou algumas lágrimas que fugiram de seus olhos e fechou o objeto com a fita adesiva.&lt;br /&gt;- E este pedaço do bolo vai para sua amante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Leandro escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://caixaamarela.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://caixaamarela.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;contato com o autor: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:dii_lugh@yahoo.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;dii_lugh@yahoo.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-44813064135381737?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/44813064135381737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/44813064135381737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/06/repartindo-o-bolo-com-o-serrote_08.html' title='Repartindo o bolo com o serrote'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-2427927661610737904</id><published>2009-06-05T11:53:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:33:51.213-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Denise Ravizzoni'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><title type='text'>Olimpo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Deuses sempre foram cruéis. Os gregos e todos os outros. Zeus, o ‘big boss’ era mulherengo e manipulador. Gostava de engravidar mortais gostosas e se divertia jogando uns contra os outros seus pares de pantheon.&lt;br /&gt;Mitos. Cercados de mitos. Somos mitos também? Mulheres com cabelos de serpentes, éguas canibais, labirintos habitados por criaturas estranhas, rios murmurantes e bichos de cem cabeças. Nada diferente dos dias de hoje.&lt;br /&gt;Chego atrasado à consulta. Droga. Pago pelos minutos em que não estou presente também. Justo? Quem disse que o mundo é. Porque a mulher que ouve o que digo e diz estar me tratando seria exceção? E lá vou eu, com cara de culpa já na entrada, sorrisinho sem graça, pedir licença. Ela sorri sem mostrar os dentes e faz sinal para o sofá.&lt;br /&gt;- Está 10 minutos atrasado. Mas hoje posso compensar no final.&lt;br /&gt;Surpresa. Nem sempre tenho razão.&lt;br /&gt;Hera foi uma vaca ciumenta. Suportava as traições de Zeus e depois se esforçava em punir as amantes do marido e seus filhos, como fez com Hércules. Afrodite, a bela, traiu seu marido Hefesto com o guerreiro Áries. Por sua vez, Hefesto era manco por culpa de Zeus, que certa vez o lançou ao solo porque o filho – sim, Hefesto era seu filho – tomou o partido da mãe Hera durante uma discussão.&lt;br /&gt;Sento, me ajeito como posso e entendo que a sessão começou.&lt;br /&gt;- Não foi intencional. O trânsito estava ruim, o ônibus ficou retido.&lt;br /&gt;- Você acha que penso ter sido sua intenção?&lt;br /&gt;- Não penso nada. Só estou dizendo que não foi.&lt;br /&gt;- Você está justificando sem motivo, então?&lt;br /&gt;- Olha, não estou justificando. Não me faz sentir como se estivesse na porra do jardim de infância. Foi só um comentário. Pessoas fazem comentários.&lt;br /&gt;- Os meus comentários estão irritando você?&lt;br /&gt;- Não estou irritado, só disse que cheguei atraso. Merda, tudo tem um significado oculto pra você?&lt;br /&gt;- Você pensa que há mensagens ocultas, códigos, em meio às frases que usa?&lt;br /&gt;- Olha, pára com isso. Estou tentando manter uma conversa, certo? É melhor começarmos logo a porcaria da sessão.&lt;br /&gt;- Reações defensivas. Não estou acusando você de nada. Apenas observando a escolha do seu vocabulário.&lt;br /&gt;- Vai pro inferno, você e seu maldito vocabulário – eu grito, com raiva, até quase estourarem as veias da minha garganta. E a luz se apaga.&lt;br /&gt;Os Titãs chegaram antes dos deuses. Travaram uma guerra violenta e os deuses levaram a melhor. Os cretinos prenderam os Titãs nas profundezas. Prometeu foi condenado a ter o fígado comido todos os dias por uma águia porque entregou o fogo aos humanos. Chronos devorava sua prole. O inferno dos gregos tinha três andares.&lt;br /&gt;Acordo com a garganta seca, os lábios quase colados. Nenhuma saliva, o sol ainda não aquece. Febre, a febre comendo meus olhos por dentro. Um gosto estranho, muito estranho. Estava na cama, mas com a roupa que usei ontem durante o dia todo. Há sangue na camisa. Na mão, ainda tenho a pesada e cara caneta de ouro que usei para perfurar por doze vezes a garganta de Aurora, a psiquiatra. Uma estocada para cada morador do Olimpo. Encerrei o tratamento. Declarei-me paciente em alta.&lt;br /&gt;Poseidon segurava um tridente e governava as ondas do mar de acordo com seu humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Denise Ravizzoni escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://sexoecrimecialtda.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://sexoecrimecialtda.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://e-blogue.com/blogs"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://e-blogue.com/blogs&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.3ammagazine.com/brasil"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.3ammagazine.com/brasil&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.becodocrime.net/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.becodocrime.net/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://deniseravizzoni.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://deniseravizzoni.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Contato com a autora: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:denise_ravi@hotmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;denise_ravi@hotmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-2427927661610737904?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/2427927661610737904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/2427927661610737904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/06/olimpo.html' title='Olimpo.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-7859921033691805620</id><published>2009-06-02T12:08:00.002-07:00</published><updated>2009-09-28T07:32:59.327-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cisticerco'/><title type='text'>Pesadelos.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Havia duas noites que não dormia direito. Desde que começou a ter os pesadelos, a cerca de uma semana atrás, não conseguia mais dormir tranqüilo. Acordava assustado todas as noites desde então. Suando. Várias noites teve que trocar de camiseta porque elas estavam ensopadas. Era sempre o mesmo sonho. Ele andava de madrugada pela rua sozinho. Estava frio. Muito frio. Vestia uma grande jaqueta e um cachecol. Ia andando por uma grande avenida, quando de repente alguém aparece, vinda de uma rua perpendicular a esta avenida. Era uma senhora. Ela vem andando em sua direção. Estava frio. Podia perceber que a senhora estava bastante agasalhada. Ele a agarra. Começa a apertar seu pescoço com suas mãos fortes. A mulher deixa cair a sua bolsa e leva suas mão ao pescoço, na tentativa de soltar as suas que a estão enforcando. Ele aperta cada vez mais o pescoço daquela senhora. O rosto da mulher começa a ficar escuro, meio avermelhado. Seus olhos começam a virar. A senhora morre em suas mãos. Estrangulada.&lt;br /&gt;Ele acorda desesperado. Assustado. O que seria aquilo? Nunca na vida imaginou sonhar algo tão horrível. Matar alguém? Nunca. Alguma coisa estava errada. Sempre foi uma pessoa boa e pacífica. Detestava discussão.&lt;br /&gt;Durante os últimos oito dias sonhou o mesmo pesadelo todas as noites. Resolveu então que não iria mais dormir. Ou então deixaria seu corpo tão cansado que ele não teria vontade nem de sonhar. Quem sabe assim não pensasse esses absurdos.&lt;br /&gt;Havia pensado em procurar ajuda médica. Talvez um psicólogo ou talvez um psiquiatra. Mas não era louco. Sabia que não era louco. Também não lembrava de ter algum motivo específico para começar a sonhar essas barbaridades. Não havia visto nenhum filme de terror ou mesmo alguma reportagem que o tivesse chocado.&lt;br /&gt;Já ouvira falar que os sonhos tinham um significado. Mas qual seria o seu então? Será que iria se transformar em um assassino? Ou será que era um tipo de aviso? Isso! Talvez fosse um aviso. Talvez ele corresse algum tipo de perigo. Talvez ele fosse ser estrangulado.&lt;br /&gt;Não sabia mais o que pensar. Estava cansado. Acabou adormecendo no sofá da sala. E sonhou. O mesmo sonho dos dias anteriores. Acordou assustado. Suando. Meu Deus! O que está acontecendo?&lt;br /&gt;Resolveu dar uma volta, esfriar a cabeça. Quem sabe fosse o seu sedentarismo que estivesse lhe fazendo mal. Dificilmente saia para caminhar e nunca fazia qualquer tipo de exercício. Pegou uma jaqueta no armário. Estava frio lá fora. Achou melhor levar um cachecol. Só por precaução.&lt;br /&gt;Caminhou até o centro da cidade. Não havia ninguém pela rua àquela hora. Também, quem seria idiota para sair na rua àquela hora e com esse frio?&lt;br /&gt;De repente uma senhora virou a esquina. O pânico tomou conta do seu corpo. Não acreditava no que estava acontecendo. Reparou em si mesmo e agora percebia o que estava acontecendo. A mesma jaqueta do sonho. O cachecol.&lt;br /&gt;A senhora vinha em sua direção. Carregava apenas uma bolsa contra o peito. Caminhava olhando para o chão.&lt;br /&gt;Não. Não posso. O que é isso? Não, não. Só podia ser uma coincidência. O destino estava brincando com ele. Não podia ser verdade. Tinha que estar sonhando. Isso mesmo! Estava sonhando. Só podia estar sonhando. Na verdade nada daquilo era real. Era apenas mais um dos seus pesadelos.&lt;br /&gt;A senhora se aproximou.&lt;br /&gt;Ele agarrou rápido o pescoço da mulher e começou a apertar. Ela, desesperada, soltou sua bolsa e tentou tirar as mãos dele do seu pescoço. Mas ele era muito forte. Podia-se ver um sorriso de felicidade em seu rosto enquanto apertava cada vez mais o pescoço da mulher. Ela não conseguia gritar. Ele apertava com força cada vez mais. Ela não conseguia emitir nada mais que pequenos gemidos. Ele percebia que ela estava ficando asfixiada e o sorriso em seu rosto aumentava. O rosto da senhora começou a escurecer. Avermelhar. Seus olhos começaram a virar. Suas mãos começaram a soltar as do seu agressor. Ela começou a não conseguir mais ficar em pé. E ele continuava a apertar. Cada vez mais forte.&lt;br /&gt;Quando tirou as mãos do pescoço da senhora ela simplesmente caiu no chão. Estava morta. Ele então olhou para ambos os lados da grande avenida. Não havia ninguém. Voltou para casa. Tirou o cachecol e a jaqueta e colocou-as no armário.&lt;br /&gt;Foi para o quarto. Deitou-se na cama e dormiu. Dormiu como há vários dias não conseguia dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cisticerco escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://cisticerco.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://cisticerco.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-7859921033691805620?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/7859921033691805620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/7859921033691805620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/06/pesadelos.html' title='Pesadelos.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-664844702415472257</id><published>2009-05-07T09:56:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:32:38.261-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Plínio Gomes'/><title type='text'>A voz ao lado.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fazia um tempo que não ouvia a voz da senhora que mora ao lado com sua acompanhante. Nem mesmo sua tosse ou gemidos de dor, que de madrugada ela insistia e soltava. Ainda ontem vi sua acompanhante Julia entrar com pães e leite. Eu lhe pedia o isqueiro, ela me emprestava meio que a contragosto. Tentava puxar papo, mas ela sempre monossilábica. Ela é meio gordinha, nem alta e nem baixa, branca de cabelos claros, tem uns olhos castanhos claros e um olhar fixo, marcante, às vezes amedrontador, as bochechas rosadas e sempre que eu puxava assunto, ela corava mais.&lt;br /&gt;Mas o fato da Dona Eulália não fazer mais nenhum barulho, isso estava martelando minha cabeça há vários dias. Porque a gente se acostuma com as coisas que nos irritam e chega um momento que até sentimos falta. Esta senhora, não deve ter mais de setenta anos, os filhos moram na Europa há bastante tempo e contrataram a Julia na última vez que estiveram aqui, isso faz uns dois anos. O sobrado de esquina é da família há muito tempo, tem ar dos prédios do Broklin que vemos nos filmes americanos.&lt;br /&gt;Decidi espreitar a casa, e descobrir o que aconteceu com a pobre senhora. No fim de tarde fui saber como estava a Dona Lala, como é chamada pelos vizinhos. Para isso, joguei um lençol sobre o parapeito do primeiro andar, para dizer que foi o vento que fez voar e parar ali. Toquei a sineta da porta e esperei, a acompanhante veio atender nervosa, afinal não era costume receber visitas.&lt;br /&gt;- Olá Julia! Tudo bem? Vim saber notícias de Dona Eulália, e também fazer uma visita.&lt;br /&gt;- Infelizmente não será possível vê-la, pois ela dorme nesse momento.&lt;br /&gt;- Que pena, mas aproveitando, gostaria de pegar um lençol que voou e parou no parapeito do primeiro andar.&lt;br /&gt;- Pode deixar que eu pego para você - e foi fechando a porta; mas fui mais rápido, e coloquei o pé travando a porta e entrei.&lt;br /&gt;- Não precisa se incomodar Julia, eu mesmo subo e pego, conheço bem a casa. Não se preocupe, não farei barulho.&lt;br /&gt;Ela quis intervir, mas já era tarde, eu já subia as escadas e começava a sentir um mau cheiro. Percebi que ela fechava a porta e logo ouvi seus passos a me acompanhar. O aspecto do sobrado era de total desarrumação e abandono. Baratas correndo de um lado para o outro, cheguei a me assustar quando um camundongo passou por entre minhas pernas.&lt;br /&gt;À medida que eu andava pelo corredor, o fedor aumentava. Alguma coisa apodrecia ali. E eu começava a sentir calafrios e enjôo. E depois, o fato de não saber onde a acompanhante estava me deixava mais ouriçado e nervoso. Fui até o parapeito e peguei o lençol que estava enganchado e fui até o quarto da Dona Lala, que é o da frente. Ao empurrar a porta, quase vomitei, o corpo dela estava em decomposição, ao redor dele, várias bolinhas brancas de naftalina, como se alguém quisesse esconder o cheiro fétido que rondava por ali. Cobri meu nariz com o lençol que eu segurava e antes mesmo de me virar, notei a presença da Julia. Senti uma pancada nas costas e outra em minha nuca, antes de perder a razão e provavelmente a vida, a ouvi dizendo: “Para você deixar de ser curioso.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Plínio Gomes escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://zingador.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://zingador.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pliniogomes.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://pliniogomes.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://blogcabecascortadas.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://blogcabecascortadas.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;a href="http://universoderetalhos.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://universoderetalhos.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Contato com o autor: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:pliniogomess@hotmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;pliniogomess@hotmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-664844702415472257?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/664844702415472257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/664844702415472257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/05/voz-ao-lado.html' title='A voz ao lado.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1702641418789683633.post-767012973677235312</id><published>2009-05-06T06:46:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T07:32:10.854-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeças Cortadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Afobório'/><title type='text'>Muralha solidão.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Nesse lugar tem cheiro de umidade e mofo.&lt;br /&gt;As grades na janela sem vidro me dão uma sensação gélida.&lt;br /&gt;Os fios de luz no teto estão arrebentados e muitos deles me incomodam quando fico em pé, e quando estou sentado me mostram uma decoração decadente.&lt;br /&gt;Vejo os tristes passando, e as paredes quase demolidas.&lt;br /&gt;As arestas de sol adentram más, aborrecem e dão desconfiança.&lt;br /&gt;Essa latrina é um espelho para o fim e a desistência.&lt;br /&gt;Onde qualquer esperança se esvai.&lt;br /&gt;As baratas vêm aos milhares.&lt;br /&gt;Elas invadem tudo, por que bem como chegam nadando saem correndo e batem asas.&lt;br /&gt;As migalhas e o ácaro daqui são um agrado para as visitantes.&lt;br /&gt;Deixo os farelos por que preciso de companhia.&lt;br /&gt;E a poeira é um presente do tempo.&lt;br /&gt;A minha paciência cresce todos os dias.&lt;br /&gt;Contar baratas é uma diversão.&lt;br /&gt;É como uma ampulheta dia e noite.&lt;br /&gt;O pior é durante o escuro.&lt;br /&gt;A noite passada um rato devorou o meu pacote de bolachas que estava sobre a mureta da janela.&lt;br /&gt;Um presente cheio de insônia.&lt;br /&gt;Eu dormia quando acordei com os barulhos.&lt;br /&gt;Pesava uns quatro quilos, o rabo era mais grosso que meu anular.&lt;br /&gt;Os dentes dele faziam uma ópera que me assustava.&lt;br /&gt;Parecia que era a engrenagem de um carrossel bandido que atritava o silêncio.&lt;br /&gt;É um pânico, olho aberto, é pulmão cheio e mão suja.&lt;br /&gt;Um sinônimo para favores.&lt;br /&gt;O cigarro é moeda para tudo e abre mais portas que as chaves.&lt;br /&gt;É uma paranóia.&lt;br /&gt;A fumaça faz o papel de esposa.&lt;br /&gt;Fumar é como abreviar o tempo, como dar corda num brinquedo.&lt;br /&gt;Aqui a gente busca inspiração em coisas que nunca me tocaram.&lt;br /&gt;E pensar que a água gelada que usamos no banho me mantêm acordado para assistir essa mesma televisão interna todos os dias até tarde da noite.&lt;br /&gt;Dormir quase não é.&lt;br /&gt;É por isso que anoto muito que encontro aqui.&lt;br /&gt;As coisas são de um jeito Sansão.&lt;br /&gt;Tudo me parece um beijo que entrega para a morte e o esquecimento.&lt;br /&gt;O sangue que mancha o chão do pátio e das passarinheiras é sempre ajuste de contas.&lt;br /&gt;A condenação não é problema, porque estamos cercados pelo concreto e a véspera sem fim.&lt;br /&gt;E de tudo que há aqui, o que mais me enfeitiça é o vento.&lt;br /&gt;Bate tanto os corredores que se torna descomunal.&lt;br /&gt;Esse tempo frio é intrigante, por que me mostra que estou no lugar mais aberto e mais fechado que existe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Afobório escreve: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.afoborio.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.afoborio.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.e-blogue.com/blogs"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;www.e-blogue.com/blogs&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.3ammagazine.com/brasil"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;www.3ammagazine.com/brasil&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.becodocrime.net/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.becodocrime.net/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Contato com o autor: afoborio@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1702641418789683633-767012973677235312?l=blogcabecascortadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/767012973677235312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1702641418789683633/posts/default/767012973677235312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogcabecascortadas.blogspot.com/2009/05/muralha-solidao.html' title='Muralha solidão.'/><author><name>Cabeças Cortadas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00630524054227926847</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
